Acessar o conteúdo principal
A Semana na Imprensa

Le Monde mostra impacto de investigações terroristas nas crianças

Áudio 03:14
Policiais vigiam a entrada de prédio em subúrbio ao norte de Paris.
Policiais vigiam a entrada de prédio em subúrbio ao norte de Paris. AFP PHOTO JEAN AYISSI
Por: RFI
7 min

Os atentados de 2015 em Paris e a adoção do estado de emergência na França reforçaram os poderes da polícia, que está autorizada a fazer buscas e apreensões baseada na simples suspeita de um plano terrorista. Desde então, milhares de famílias foram alvo da irrupção policial em qualquer horário do dia e da noite, em operações traumáticas para as crianças que presenciam a abordagem policial. É o que mostra uma reportagem da revista M, do jornal francês Le Monde.

Publicidade

A matéria conta que um número incontável de crianças assistiu às 3.594 operações policiais a casas de suspeitos de estarem relacionados com o terrorismo, mas “apenas um punhado”, de fato, resultou em um processo judicial. Um dos garotos, de 11 anos, lembra de cada detalhe de quando os agentes da polícia de elite invadiram a sua casa e apontaram as armas em direção a todos os moradores do local, inclusive as quatro crianças, a mais nova com apenas 2 anos. Ele conta que levou às mãos ao alto, “como se vê na tevê”, enquanto o pai era jogado no chão, algemado e depois levado para interrogatório. Ao fim de seis meses em que o suspeito teve de se apresentar duas vezes por dia em uma delegacia, as investigações concluíram que ele era inocente.

Desenhos demonstram trauma da intervenção

Na cabeça das crianças, as imagens dos pais sendo agredidos, dos lasers das pistolas em plena escuridão e da agressividade dos cães farejadores podem ficar para sempre. A revista mostra desenhos feitos pelos menores na escola, em que os policiais aparecem em um tamanho desproporcional aos demais personagens.

Em outro, uma menina de 7 anos reproduz o momento em que foi ferida acidentalmente por uma explosão feita pela polícia. Uma terceira menina explicou à revista M que, “todas as noites, tem medo que aqueles senhores voltem”. No último pesadelo, ela se via sendo morta pelos agentes em frente à escola. A mãe de um menino relata que a participação da polícia nas brincadeiras com Lego se tornaram frequentes.

Sem ajuda para os danos psicológicos

No texto, as famílias dos inocentes relatam não ter recebido qualquer ajuda do governo para reparar os danos psicológicos nas crianças. Um pedopsiquiatra ouvido pela reportagem afirma que o melhor a fazer é tentar explicar o que aconteceu. O fato de a operação expor os pais - as pessoas que, para as crianças, são as maiores responsáveis pela sua proteção – tem um impacto ainda maior para que muitas passem a se sentir na mais completa insegurança. Em outros casos, o episódio marca o início de um perigoso desprezo pela instituição policial.

Em maio passado, o estado de emergência foi revisado e as operações voltaram a precisar da autorização prévia de um juiz. Uma associação muçulmana pediu que o Ministério do Interior determinasse que as intervenções fossem o menos violentas possível quando acontecerem na presença de menores. Ao  Monde, o órgão declarou que uma nota sobre isso sentido foi emitida a todos os policiais.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.