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França/ política

Morre Michel Rocard, ícone da esquerda reformista francesa

Michel Rocard, em foto de 2004. Socialista morreu aos 85 anos, em Paris.
Michel Rocard, em foto de 2004. Socialista morreu aos 85 anos, em Paris. REUTERS/Jean-Paul Pelissier/File photo
Texto por: RFI
3 min

A esquerda francesa perde um dos seus nomes mais respeitados. O ex-primeiro-ministro socialista Michel Rocard, de 85 anos, morreu neste sábado (2) em Paris, em decorrência de um câncer. Rocard é teórico da linha que ficou conhecida como segunda esquerda, que assume as mudanças provocadas pela globalização mas não renuncia aos avanços sociais e à redistribuição de renda.

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De 1988 a 1991, Rocard chefiou o governo do ex-presidente François Mitterrand, com quem sempre teve uma relação conflituosa. Uma das figuras da modernização da esquerda, ele entrou para a história pelas reformas e medidas marcantes que promoveu, como a instauração de uma renda mínima para os franceses de baixa renda, o RMI. Rocard também foi secretário-geral do Partido Socialista francês, de 1993 a 1994. Sem papas na língua, foi por muito tempo o político mais popular da França.

Homenagens

Logo após o anúncio da morte, feito pelo filho astrofísico, Francis Rocard, o presidente francês, François Hollande, homenageou aquele que representa uma fonte de inspiração para o atual governo francês. “Foi uma grande figura da República e da esquerda”, declarou Hollande. "Ele encarnava um socialismo que conciliava a utopia e a modernidade."

O primeiro-ministro, Manuel Valls, era um admirador ainda maior de Rocard, de quem foi discípulo. “Ele encarnava a modernização da esquerda e a exigência de dizermos certas verdades”, comentou o premiê.

Esquerda “retrógrada”

Em uma entrevista recente, publicada na revista semanal Le Point, Rocard dizia que “a esquerda francesa é a mais retrógrada da Europa”. Ele argumentava que “os direitos dos cidadãos não se resumem a conquistas sociais” e que “o verdadeiro socialismo é providenciar acesso das atividades para todos”.

Filho de uma mãe protestante e um pai católico – um dos cientistas que inventaram a bomba atômica francesa -, o ex-premiê vem de uma família de classe média alta de Courbevoie, na periferia de Paris. Rocard formou-se em Letras, depois passou pelo Centro de Estudos Econômicos da Sciences Po, de Paris, e finalizou os estudos na prestigiosa Escola Nacional de Administração (ENA), uma instituição quase obrigatória para os políticos franceses, onde foi colega do futuro presidente Jacques Chirac.

Uma frustração: nunca ter sido presidente

O palácio do Eliseu foi um sonho jamais concretizado por Rocard. A candidatura só ocorreu uma vez, no início da carreira, em 1969. Nos anos seguintes, suas diversas tentativas de representar o PS nas eleições fracassaram.

Por outro lado, ele teve sucessivos mandatos de deputado, na França e no Parlamento Europeu, foi senador e várias vezes ministro. Rocard pode não ter ocupado o cargo máximo da política francesa, mas deixa uma herança garantida aos socialistas que brigam para levar a esquerda francesa rumo a uma linha social-democrata.

Micgel Rocard estava internado no hospital parisiense de Pitié-Salpetrière e deixa quatro filhos, de três casamentos.

Com informações da AFP
 

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