Ministro francês diz que autor de atentado em Nice "se radicalizou rapidamente"

Mohamed Lahouaiej-Bouhlel
Mohamed Lahouaiej-Bouhlel FRENCH POLICE SOURCE / AFP

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, declarou neste sábado (16) que o autor do ataque em Nice, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico, "parecia" ter se "radicalizado muito rapidamente" e falou de "um ataque de um novo tipo", que "mostra a extrema dificuldade do combate ao terrorismo".

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O tunisiano Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, que matou 84 pessoas ao lançar seu caminhão na quinta-feira (14) à noite contra uma multidão reunida para o feriado de 14 de julho, "não era conhecido dos serviços de inteligência", reiterou Cazeneuve.

O ministro ressaltou que agora, "indivíduos sensíveis à mensagem do Estado Islâmico envolvem-se em ações extremamente violentas, sem necessariamente terem participado de combates, sem necessariamente terem sido treinados".

Casado com três filhos

Lahouaiej Bouhlel é natural da cidade Msaken, no litoral nordeste da Tunísia. As autoridades tunisianas informaram que ele esteve em seu país de origem pela última vez há quatro anos e não era conhecido por ter opiniões políticas ou religiosas radicais.

O autor do ataque era casado, tinha três filhos, e trabalhava como motorista profissional de veículos pesados. Ele morava em Nice e era portador de um visto de residência com validade de 10 anos, que foi encontrado dentro do caminhão utilizado no massacre.

De acordo com o procurador-geral da República, François Molins, o agressor tinha algumas passagens pela polícia devido a delitos menores, brigas no trânsito e violências familiares. Mas não era fichado ou investigado pelos serviços antiterrorismo.

Silencioso e solitário

Lahouaiej Bouhlel morava em um prédio de quatro andares em um bairro do norte de Nice. O local foi alvo de uma operação policial na manhã da sexta-feira (15). Os vizinhos o descrevem como um homem "silencioso e solitário". Muitos dizem que ele não tinha aparência de uma “pessoa religiosa”.

Um dos moradores do bairro disse que Lahouaiej Bouhlel nunca respondia ao cumprimentos dos vizinhos. Outra pessoa declarou que sempre achou o motorista “suspeito”.

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