Terrorismo

Preso indo à Síria, cunhado de terrorista do Charlie Hebdo será enviado à França

Atentado na sede da revista Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, deixou 12 mortos.
Atentado na sede da revista Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, deixou 12 mortos. REUTERS/Regis Duvignau/Files
Texto por: RFI
3 min

O cunhado de um dos autores do atentado contra a revista satírica francesa Charlie Hebdo concordou nesta quarta-feira (10) em ser extraditado para a França a partir da Bulgária. O rapaz de 20 anos foi preso no país, suspeito de tentar se juntar ao grupo Estado Islâmico na Síria.

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"Eu quero uma extradição imediata para a França", disse Mourad Hamyd, antes de assinar um documento com o seu consentimento, durante uma audiência em Sofia. Segundo o tribunal, o pedido de extradição será formalmente emitido na terça-feira (16).

Hamyd é cunhado de Chérif Kouachi, um dos dois irmãos que, em janeiro de 2015, matou 12 pessoas na sede da revista Charlie Hebdo, em Paris. O jovem foi detido pelas autoridades búlgaras no dia 28 de julho, depois de ser devolvido pela Turquia.

O suspeito chegou à Bulgária de trem no dia 26 de julho, passando pela Hungria e Sérvia. Na época, sua irmã avisou à polícia da França sobre o sumiço do rapaz, que emitiu um alerta de "desaparecimento preocupante". Dois dias depois, Hamyd tentou entrar na Turquia, mas foi detido e devolvido à Bulgária. Essa não foi a primeira tentativa do rapaz de se unir ao grupo Estado Islâmico: em 2014, ele já havia tentado viajar à Síria.

Segundo as autoridades francesas, sua viagem "corresponde àquela empreendida pelos voluntários jihadistas que querem se juntar ao Estado Islâmico na Síria ou no Iraque". O jovem terá que responder na França pela acusação de "associação criminosa com fins terroristas" e pode ser punido com até dez anos de prisão.

Em janeiro de 2015, um dia depois do atentado contra o Charlie Hebdo, o rapaz, na época com 18 anos, foi detido durante 48 horas para interrogatório. Ele foi libertado sem acusações e sob protestos de seus colegas de escola, que lideraram um forte movimento nas redes sociais, #MouradHamydInnocent (Mourad Hamyd Inocente), em defesa do jovem.

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