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Le Monde diz que franceses são campeões entre os maus perdedores

Renaud Lavillenie comparaou brasileiros a nazistas
Renaud Lavillenie comparaou brasileiros a nazistas Reuters
Texto por: RFI
4 min

Os franceses ganharam fama de não saber perder nos Jogos Olímpicos do Rio. E é a própria imprensa francesa que está dizendo isso. O jornal Le Monde chama, em título, os atletas da França de "campeões olímpicos entre os maus perdedores".

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O caso mais notável é de Renaud Lavillenie, do salto com vara, que disse que não ganhou o ouro porque o público brasileiro o vaiou durante a competição. Ele perdeu o primeiro lugar no pódio para o brasileiro Thiago Braz da Silva.

A publicação critica a declaração de Lavillenie, que comparou os torcedores do Brasil aos nazistas que vaiaram o atleta negro norte-americano Jesse Owens em 1936 em Berlim, e diz que se tornou um jogo adivinhar qual será o próximo pretexto utilizado por um atleta francês para justificar um fracasso.

O jornal Direct Matin traz uma lista de maus perdedores franceses. A primeira é a tenista Kristina Mladenovic, que fazia dupla com Caroline Garcia, que criticou a Federação Francesa de Tênis por sua eliminação prematura. O motivo: a entidade esqueceu de avisar que elas tinham que usar uniformes da mesma cor. O resultado é que Caroline teve que jogar com a roupa do avesso. "Isso nos custou muito energia", disse Kristina.

Culpa dos árbitros

Para os judocas, a culpa é dos árbitros. Priscilla Gneto, que foi desqualificada por fazer um gesto proibido pelas regras, disse que a decisão não era aceitável. Já Pierre Duprat, que perdeu para um russo por pontos, disse que o juiz não marcou as penalidades que deveria contra seu adversário.

Para as jogadoras de handebol, a culpa foi do piso da quadra. A atacante Allison Pineau disse, após a derrota contra a Rússia, que havia tacos que estavam quebrados e buracos no chão. "Isso coloca as atletas em perigo. Uma jogadora quase torceu o tornozelo", disse a atleta, que ainda responsabilizou a bola "que escorregava" pelo fracasso.

Após ser vencido por Xu Jiayu (2° lugar) nos 100 metros costas, o nadador Camille Lacourt disse que lhe dava nojo perder para um chinês. E também criticou o pódio dos 200 metros nado livre. "Me dá vontade de vomitar ver gente que trapaceia no pódio, Sun Yang mija roxo", disse o francês, que ficou no quinto lugar, sobre esse outro chinês. Jiayu nunca foi pego em um exame anti-doping, e Yang não disputou nenhuma prova com ele. "Qual é o interesse em atacá-lo?", pergunta-se o jornal.

"Decisão vergonhosa"

O Le Monde lembra também as acusações feitas pelo halterofilista Bernardin Matam, que ficou em oitavo lugar na categoria de menos de 69 kg: "Se a federação internacional e o COI fizessem as coisas corretamente, eu teria subido pelo menos quatro colocações porque os cinco primeiros colocados não são limpos".

A nadadora francesa da maratona aquática Aurélie Muller foi desqualificada por ter atrapalhado a adversária italiana, o que fez com que a brasileira Poliana Okimoto levasse o bronze. A má perdedora disse que era estranho que, "por acaso, uma brasileira ficasse com o terceiro lugar". "Eu considero a decisão vergonhosa e injusta."

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