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Ex-ministro de Hollande lança candidatura independente à presidência

O ex-ministro da Economia, Emmanuel Macron, que anunciou sua candidatura à presidência francesa.
O ex-ministro da Economia, Emmanuel Macron, que anunciou sua candidatura à presidência francesa. REUTERS/Jacky Naegelen

Nas primeiras páginas dos jornais franceses desta quarta-feira (16), destaque para a pré-campanha eleitoral da França, a cinco meses das presidenciais no país. A exemplo da manchete do Les Echos, a imprensa indica que a corrida ao Palácio do Eliseu se acelera com o lançamento da candidatura do ex-ministro da Economia, Emmanuel Macron.

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O ex-ministro da Economia, Emmanuel Macron, lança sua candidatura, dois meses e meio após ter deixado o governo e sem esperar seu mentor, o presidente François Hollande, decidir se vai ou não concorrer a um segundo mandato, explica Les Echos. Mas sua marcha rumo ao Palácio do Eliseu não deve ser fácil.

Se a candidatura do impopular Hollande parece cada dia mais complicada, a rivalidade de Macron com o primeiro-ministro Manuel Valls é, ao contrário, cada dia mais forte, constata o diário. Valls é o provável nome para substituir Hollande, caso o presidente desista de concorrer. François Hollande irá anunciar se será ou não candidato a sua sucessão em dezembro. A pressão para que ele renuncie a um possível segundo madato aumenta, escreve o jornal econômico.

Macron surpreende para ganhar terreno

Le Figaro afirma que Emmanuel Macron surpreende Hollande e Manuel Valls com o lançamento de sua candidatura. Durante muito tempo, o ex-ministro da Economia, que criou no primeiro semestre o movimento Em Marcha, manteve o suspense sobre suas intenções na corrida eleitoral.

O jornal acredita que ele decidiu se lançar agora porque foi pressionado pelo aumento da popularidade do premiê socialista Manuel Valls. Macron também se antecipa para tentar captar uma parte do eleitorado da direita e do centro, analisa o jornal. O anúncio de sua candidatura acontece a cinco dias das primárias do partido conservador Les Républicains (LR - Os Republicanos, em português). O ex-ministro Socialista espera conquistar eleitores seduzidos pelo moderado Alain Juppé, que lidera as pesquisas e deve vencer as primárias do LR

Campanha francesa dominada pela direta e extrema-direita

O anúncio acontece também no momento em que o Partido Socialista (PS) se questiona sobre o melhor candidato da sigla nesta campanha eleitoral, dominada pela direita e pela extrema-direita. Ele é um golpe suplementar no PS. Para os deputados do partido, a candidatura de Macron é um tiro de misericórdia contra a esquerda que esta ameaçada de extinção, avalia Le Figaro.

De Marrakesh, onde participa da Conferência da ONU sobre o Clima, o presidente François Hollande pediu a união e a coesão da esquerda. Se participar das primárias que vão indicar o nome do candidato socialista às presidenciais de 2017, Hollande seria derrotado pelos outros nomes na disputa, indica uma pesquisa publicada pelo jornal.

Enquanto isso, a Frente Nacional prepara sua campanha na surdina, alerta Libération. Enquanto direita e esquerda estão sob tensão, a líder do partido de extrema-direita, Marine Le Pen, organiza discretamente a batalha, informa o jornal.

A candidata, que segundo todas as pesquisas de opinião avançaria ao segundo turno das presidenciais francesas em 2017, se mostra discreta na mídia. Isso é uma estratégia que visa dar a Marine Le Pen a imagem presidencial que os eleitores ainda não veem na candidata, pensa o jornal de esquerda independente. O objetivo é ressaltar o contraste entre uma esquerda nocauteada, uma direita em plena batalha pelas primárias com a participação de sete candidatos, e uma Frente Nacional estudiosa.

Entre seus concorrentes, Nicolas Sarkozy, Alain Juppé, à direita, e Emmanuel Macron, de centro-esquerda, tentam convencer que são os melhores porque têm capacidade de vencer Marine Le Pen. Esse discurso de “barragem à Frente Nacional” no país foi ainda reforçado pela vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, uma vitória que torna possível o triunfo do populismo de direita em uma grande potência ocidental, conclui Libération.

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