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Para governar a França, um conservador liberal ou um ultraliberal?

François Fillon (à esquerda) e Alain Juppé disputam vaga para concorrer ao Palácio do Eliseu pelo partido Os Republicanos.
François Fillon (à esquerda) e Alain Juppé disputam vaga para concorrer ao Palácio do Eliseu pelo partido Os Republicanos. ????
Texto por: RFI
3 min

Os jornais desta terça-feira (22) dão destaque ao duelo entre os finalistas das primárias do partido conservador francês Os Republicanos. François Fillon, ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy, contrariou os prognósticos e venceu com ampla vantagem o primeiro turno da consulta prévia, realizada no domingo. O segundo colocado é Alain Juppé, que também já chefiou o governo francês durante a presidência de Jacques Chirac e hoje é prefeito de Bordeaux.

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O diário Les Echos mostra que os dois candidatos propõem programas de governo semelhantes na área econômica. As principais medidas preconizadas são cortes drásticos nos gastos públicos, aumento da TVA (o imposto sobre valor agregado) e redução do imposto de renda para famílias ricas e de classe média alta, que sofreram reajustes expressivos durante o governo Hollande.

Os temas em que Fillon e Juppé diferem são relativos à política externa e aos assuntos de sociedade, como a adoção para casais do mesmo sexo.

Política externa visa campos opostos

Fillon, que tem grandes chances de vencer as primárias da direita, defende uma aproximação com o presidente russo, Vladimir Putin, enquanto Juppé estima que o rival "é compreensivo demais" com o Kremlin.

Em relação ao posicionamento francês no Oriente Médio, Filllon propõe uma ruptura com a estratégia do governo Hollande, que defendeu uma aliança com as monarquias sunitas do Golfo em oposição aos xiitas do Irã. Juppé continuaria na linha adotada por Hollande.

No tocante à União Europeia, Fillon quer diminuir as prerrogativas da Comissão Europeia, fortalecendo o poder de decisão dos estados enquanto membros soberanos. O rival Juppé é mais consensual e diz que buscará conciliar os interesses dos estados com as necessidades federativas do bloco.

Fillon: representante da burguesia católica francesa

Os temas de comportamento também dividem os dois candidatos. Fillon, considerado um católico ortodoxo, promete reeditar a lei que permite aos casais homoafetivos adotar crianças. Juppé é menos conservador e diz estar disposto a acompanhar as famílias "modernas".

Em seus editoriais, os jornais opinam sobre os dois perfis, semelhantes em matéria econômica, mas diferentes como água e vinho em política externa e costumes.

Para o Libération, jornal de esquerda, Fillon é o pior candidato. "Reacionário, ultraliberal e pregador melancólico, ele vai acabar levando os franceses para a sacristia". O jornal ironiza que o roteiro da missa de Fillon é para lá de conhecido. 

Le Monde também vê Fillon como o "representante da direita tradicional, até coerente em suas ideias, porém convertido a um liberalismo econômico e social puro e duro". Segundo Le Monde, Juppé é mais realista e tenta imprimir à campanha uma visão mais moderada da França.

Le Figaro comenta em seu editorial o corte no funcionalismo proposto pelos dois candidatos. Fillon quer reduzir os efetivos de 500 mil funcionários durante seu mandato, contra 300 mil para Juppé. Não importa quem sair vitorioso, o vencedor fará o necessário para reequilibrar as contas públicas, doa a quem doer, espera Le Figaro.

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