Terrorismo

Atentados desmantelados na França foram comandados da Síria ou Iraque

Informações sobre os suspeitos presos foram revelados nesta sexta-feira (25) pelo procurador François Molins.
Informações sobre os suspeitos presos foram revelados nesta sexta-feira (25) pelo procurador François Molins. AFP

Quatro franceses e um marroquino, suspeitos de preparar atentados contra Paris, prestaram juramento ao grupo Estado Islâmico (EI). Os ataques foram comandados da zona sírio-iraquiana onde os jihadistas estão instalados. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (25) pelas autoridades francesas.

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Segundo o procurador da Justiça de Paris, François Molins, os cinco homens detidos no último fim de semana em Estrasbrugo e Marselha foram apresentados nesta sexta-feira a juízes antiterrorismo. Eles devem ser investigados por associação a uma organização terrorista para preparação de crimes, reiterou Molins durante uma coletiva de imprensa.

Fontes policiais francesas revelaram na quinta-feira (24) os alvos potenciais de atentados planejados pelos suspeitos. Eles pretendiam atacar, às vésperas do Natal, locais simbólicos e turísticos da capital, como a avenida Champs-Elysées, a Eurodisney, um biblioteca, uma igreja, além do Palácio da Justiça, de duas sedes de órgãos da polícia e a estação de metrô Charonne, próxima do restaurante Belle Equipe, um dos locais atingidos pelos terroristas em novembro do ano passado.

Entre os suspeitos está um marroquino preso em Marselha. Ele morava em Portugal e foram as próprias autoridades portuguesas que lançaram o alerta à Paris, devido à radicalização e diversas viagens "suspeitas" do homem pela Europa. Os outros detidos eram desconhecidos dos serviços antiterroristas, mas, de acordo com Molins, dois deles teriam viajado para Síria em 2015. Duas outras pessoas também haviam sido presas, suspeitas de ter relação com o mesmo caso, mas foram soltas ontem.

Durante a coletiva de imprensa, o procurador também revelou que os investigadores descobriram em Estrasburgo documentos que provam que os supostos jihadistas prestaram juramento ao grupo Estado Islâmico e que mencionavam a intenção de morrer como mártires. Um dos presos confirmou a preparação dos ataques, evocando somente as duas sedes de órgãos da polícia. Mas, segundo Molins, até o momento, a investigação não descobriu mais detalhes sobre a realização dos atentados.

Molins também revelou que a operação de desmantelamento do atentado aconteceu em caráter de urgência no último fim de semana, depois que investigadores interceptaram mensagens entre os detidos e um membro do grupo Estado Islâmico mencionando o atentado. O jihadista também teria contatado durante a Eurocopa duas outras pessoas presas no dia 14 de junho.

Investigação durou oito meses

A investigação que levou à prisão do grupo começou há oito meses. Durante a Eurocopa, realizada na França em junho desde ano, dois franceses ligados ao mandante dos ataques, já tinham sido presos. Eles foram flagrados tomando empréstimos para financiar os atentados.

O ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve, elogiou na segunda-feira (21) a ação das tropas de elite francesa, que tiveram uma “ação exemplar” e “extremamente eficaz” para desmantelar esse grupo. A investigação agora entra em uma nova etapa para definir exatamente qual era o papel de cada um dos envolvidos no projeto de atentados.

Há dois anos a França enfrenta uma onda de ataques sem precedentes, e o nível de ameaça continua extremamente elevado e o país vive em estado de emergência, desde os atentados de 13 de novembro de 2015. Desde setembro, já houve 143 detenções de suspeitos terroristas, sendo que 52 pessoas foram presas e 21 estão sob controle judiciário.

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