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Imprensa

Valls interpreta o papel de reconciliador da esquerda, dizem jornais franceses

Os principais jornais franceses desta terça-feira falam sobre o anúncio do primeiro-ministro, Manuel Valls, de se candidatar às eleições presidenciais francesas, em 2017.
Os principais jornais franceses desta terça-feira falam sobre o anúncio do primeiro-ministro, Manuel Valls, de se candidatar às eleições presidenciais francesas, em 2017. RFI
Texto por: RFI
3 min

Os principais jornais franceses que chegaram às bancas na manhã desta terça-feira (6) falam sobre o anúncio do agora ex-primeiro-ministro Manuel Valls, realizado na segunda-feira (5), sobre sua candidatura às primárias do Partido Socialista, visando as eleições presidenciais francesas. Valls deixou seu cargo de chefe de governo hoje e foi substituído por Bernard Cazeneuve, que era ministro do Interior.

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"Valls colocou a carta da reconciliação na mesa", diz o jornal progressista Libération. O diário reproduz algumas frases de impacto declaradas pelo ex-primeiro-ministro em seu dicurso na segunda-feira. Ao afirmar "quero dar tudo à França que me deu tanto", Valls tenta o conquistar o coração dos eleitores da esquerda, ressalta o diário.

Para acabar com os rumores de que ele forçou a desistência do presidente François Hollande a se candidatar a uma reeleição, o ex-premiê enfatizou sua afeição pelo chefe de Estado e declarou: "nunca cedi à tentação do individualismo". Uma forma também, segundo Libé, de tentar acalmar uma esquerda dividida e superar a impopularidade do atual governo.

Em editorial, o jornal econômico Les Echos se mostra favorável à candidatura do socialista. "Manuel Valls tem a pose de presidente que François Hollande deveria ter: forte, determinado e conciliador", avalia o diário. "Sempre que um presidente chega ao Palácio do Eliseu, nos perguntamos quanto tempo ele vai demorar para incorporar a função. Para Manuel Valls, essa pergunta já está respondida. Ele já vestiu a camisa do presidente", publica Les Echos. Segundo o jornal, entre os candidatos da esquerda às eleições presidenciais de 2017, Valls é o que tem mais experiência e maiores possibilidades de vencer François Fillon, candidato da direita.

Valls quer unir a esquerda que separou

Já o jornal conservador Le Figaro não poupa o candidato socialista das críticas. "Se entendemos bem, Manuel Valls vai, então, tentar reconciliar a esquerda para quem ele próprio pediu o divórcio", alfineta. O diário atribui a fase mais grave da crise dentro do governo Hollande à nomeaão de Valls, em 2014, ao cargo de primeiro-ministro. "O que vimos nesses dois anos e meio?", questiona Le Figaro. Socialistas combatendo socialistas, deputados da esquerda prontos para censurar o presidente, uma lista de ministros que deixaram o governo devido ao desacordo com a linha imposta por Valls, ressalta.

De acordo com o jornal, a candidatura do ex-premiê está em desacordo com sua própria personalidade, até então vista como conservadora e mais próxima da direita por seus colegas e pelo eleitorado socialista. "Adeus ao homem que defendeu a reforma trabalhista, que se revoltou contra o burquíni e criticou a chanceler alemã Angela Merkel devido à sua política a favor dos migrantes", publica Le Figaro. O jornal satiriza o tom leve e a postura relaxada adotada pelo socialista na segunda-feira em seu discurso. "O mais estranho na candidatura de Valls é que ele vai ter que lutar contra ele mesmo", conclui.

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