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Relatório 2016

"Turquia tornou-se a maior prisão do mundo para jornalistas", diz RSF

Na classificação mundial da liberdade de imprensa em 2016, o Brasil ocupa a 104° posição, cinco a menos que em 2015.
Na classificação mundial da liberdade de imprensa em 2016, o Brasil ocupa a 104° posição, cinco a menos que em 2015. JEFFERSON BERNARDES / AFP
Texto por: RFI
3 min

O número de jornalistas presos ou detidos no mundo aumentou 6% em 2016 quando comparado ao ano anterior. Atualmente, 348 jornalistas, incluindo freelancers e blogueiros, estão presos no mundo, segundo o balanço anual divulgado nesta terça-feira (13) pela organização não governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), sediada em Paris.

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Levando-se em conta apenas o número de jornalistas com vínculo empregatício presos, a RSF observa um salto de 22% nos últimos 12 meses. No caso da Turquia, o número de profissionais privados de liberdade quadruplicou após o golpe de Estado fracassado de julho passado.

"Na porta de entrada da Europa, uma verdadeira caça às bruxas levou para a cadeia dezenas de jornalistas, transformando a Turquia na maior prisão do mundo para a profissão. Em um ano, o regime de Erdogan esmagou o pluralismo na mídia, enquanto a União Europeia não disse nada", denunciou Christophe Deloire, secretário-geral da RSF.

Outro dado relevante do relatório é que o número de mulheres jornalistas detidas também quadruplicou, passando de 5 em 2015 para 21 jornalistas em 2016.

Os dados menos desanimadores do levantamento se referem ao número de desaparecidos e de profissionais mantidos como reféns. Este último caiu de 61, no ano passado, para 52 neste ano. Enquanto em 2015 havia oito jornalistas desaparecidos, a RSF só aponta um profissional nessa condição, o africano originário do Burundi Jean Bigirimana.

Oriente Médio é cativeiro a céu aberto

Quatro países − Turquia (+100), China (103), Egito (27) e Irã (24) − concentram dois terços dos jornalistas presos. Em relação aos reféns, todos estão em cativeiros no Oriente Médio, em países como Síria (26), Iêmen (16) ou Iraque (10). Apenas o grupo ultrarradical Estado Islâmico mantém 21 jornalistas como reféns, denuncia a ONG francesa. Os rebeldes huthis, do Iêmen, sequestraram 15 profissionais. Segundo o documento, o Brasil não tem jornalistas ou blogueiros presos ou mantidos como reféns.

Para garantir a liberdade da imprensa, a RSF reivindica a criação de um representante especial para a segurança dos jornalistas diretamente ligado ao secretariado-geral das Nações Unidas.

CPJ publica dados divergentes

Em outro relatório publicado hoje, o Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ) aponta a existência de 259 jornalistas presos no mundo, a maioria (81) na Turquia.

O CPJ menciona quatro jornalistas detidos na América Latina, entre eles um profissional estrangeiro no Panamá e um repórter com dupla cidadania na Venezuela. Cuba integra a lista de países que prenderam jornalistas em 2016 e que não estava no levantamento do CPJ no ano passado.

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