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França

Candidatos à presidência esquentam campanha eleitoral na França

O candidato centrista Emmanuel Macron realizou um comício neste sábado (4) em Lyon.
O candidato centrista Emmanuel Macron realizou um comício neste sábado (4) em Lyon. REUTERS/Robert Pratta
Texto por: RFI
5 min

Três candidatos à presidência aquecem a campanha eleitoral neste fim de semana na cidade de Lyon, no sudeste do país. O centrista Emmanuel Macron realizou um comício neste sábado (4), mesmo dia escolhido pela líder da extrema-direita, Marine Le Pen, para apresentar seu programa de governo. No domingo (5), ela e o candidato da extrema-esquerda, Jean-Luc Melenchon, sobem no palanque.

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No Palácio dos Esportes de Lyon, o candidato sem partido e líder do movimento En Marche, Emmanuel Macron, conseguiu reunir 16 mil pessoas, muitas delas tiveram que acompanhar o comício do lado de fora. O ex-ministro da Economia, que recusa a se posicionar à esquerda ou à direita, prestou homenagens a grandes personalidades políticas francesas, como o general Charles de Gaulle, os ex-presidentes François Miterrand e Jacques Chirac, além da ex-ministra da Saúde Simone Veil, célebre por ter ser a autora da lei que passou a autorizar o aborto na França, em 1974.

Macron também revelou parte seu programa de governo, classificado pela imprensa francesa como "progressista" por considerar importante o acolhimento de refugiados, em um momento em que a xenofobia é um problema na Europa. Entretanto, seus projetos econômicos, um capítulo essencial dos programas, ainda não foram anunciados.

O candidato parece agradar os eleitores com seu discurso de união nacional e em favor do bloco europeu. "Liberdade, igualdade e fraternidade não são palavras ultrapassadas, são combates contemporâneos, são nossos combates pela França, são nossos combates pela Europa", bradou durante o comício. Macron, que promete dar "sentido e vitalidade" aos franceses, tem cerca de 22% das intenções de voto, de acordo com as últimas pesquisas de opinião. Se as eleições fossem hoje, ele passaria ao segundo turno ao lado de Marine Le Pen, que contabiliza cerca de 25% das opiniões favoráveis atualmente.

144 compromissos

A líder da extrema-direita apresentou neste sábado em Lyon seu programa de governo. Nos "144 compromissos", anunciados durante um encontro da Frente Nacional (FN), Marine Le Pen, que prometia medidas radicais - como a saída da zona do euro e o restabelecimento da pena de morte na França -, abrandou o tom.

Se for eleita, a presidente do FN prevê a realização de dois referendos sobre "a prioridade nacional" e as quatro "soberanias" - orçamentária, territorial, monetária e legislativa -, que, segundo ela, têm urgência de ser "recuperadas". Marine Le Pen já não defende a "saída do euro", mas o "restabelecimento de uma moeda nacional". Ela também deixou de lado a pena de morte, propondo agora apenas a adoção do que chama de "perpetuidade real", eliminando a possibilidade do condenado a sair da prisão.

No entanto, as promessas em relação às questões de imigração não foram aliviadas. Restabelecer as fronteiras nacionais, sair da zona de livre circulação europeia - o espaço Schengen -, acolher apenas 10 mil estrangeiros por ano, além de proibir a regularização de clandestinos, são projetos que não foram camuflados em seu programa.

Marine Le Pen deve reunir milhares de simpatizantes neste domingo em Lyon. A apenas 80 dias das eleições presidenciais francesas, a líder venceria o primeiro turno, previsto para ser realizado no dia 23 de abril. No entanto, segundo as mais recentes pesquisas, seria derrotada no segundo turno, no dia 7 de maio.

Do lado oposto do front, o candidato independente da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, também realiza um comício neste domingo em Lyon, onde deve apresentar seu programa, na mesma hora em que Marine Le Pen subirá no palanque. O local, a data e o horário, não foram escolhidos por acaso. Para o candidato, essa é uma forma de destacar suas vantagens em relação à líder da extrema-direita.

Fillon luta pela sobrevivência

O candidato da direita, François Fillon, que até meados de janeiro era o favorito a vencer as eleições, luta pela sobrevivência, depois do escândalo que veio à tona envolvendo sua mulher. Penelope Fillon teria recebido mais de € 800 mil por um emprego fictício de assessora parlamentar do marido.

Nos últimos dias, o republicano amontoou explicações e justificativas que não convenceram os franceses. Uma pesquisa realizada pela rádio France Info, na última semana, mostrou que sete a cada dez franceses têm uma opinião negativa sobre Fillon. A situação do candidato da direita piorou ainda mais depois da transmissão, na última quinta-feira (2), de uma reportagem da televisão France 2 em que Penelope afirma nunca ter colaborado profissionalmente com seu marido.

Fillon sofre forte pressão, até mesmo dentro de seu partido, Os Republicanos (LR), para renunciar à sua candidatura, mas garante que vai resistir. Em sua página no Facebook, o republicano publicou na sexta-feira (3) um vídeo em que garante que é inocente e no qual apela pelo apoio de seu eleitorado. Se as eleições fossem hoje, ele teria cerca de 18% dos votos.

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