França

Hollande diz que candidato da direita à presidência é irresponsável

O candidato da direita à presidência, François Fillon, no programa "L'Émission Politique", do canal France 2, na noite de quinta-feira (23).
O candidato da direita à presidência, François Fillon, no programa "L'Émission Politique", do canal France 2, na noite de quinta-feira (23). THOMAS SAMSON / AFP

O candidato da direita à presidência, François Fillon, não dá trégua aos escândalos. Durante participação em um programa de televisão, na noite de quinta-feira (23), o ex-premiê acusou o presidente francês, François Hollande, de ser o autor do vazamento à imprensa de informações sobre os supostos empregos fantasma de sua mulher e dois filhos do casal. O chefe de Estado não deixou barato e respondeu que Fillon não tem dignidade ou responsabilidade.

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Indiciado por desvio de fundos públicos, Fillon declarou, durante um programa da emissora pública France 2, que Hollande criou um "gabinete obscuro" para vazar elementos de investigações judiciais à imprensa. O candidato do partido Os Republicanos afirmou que teve acesso a informações em um livro ainda não publicado sobre os segredos do mandato do presidente socialista.

Fillon indicou que, segundo a obra, Hollande vazaria dados sigilosos da justiça para jornalistas. "Eu, esta noite, solenemente, peço que abram uma investigação sobre as acusações feitas neste livro, porque é um escândalo de Estado", acrescentou o republicano.

“As mentiras de François Fillon”

Antes mesmo que o programa terminasse, Hollande rebateu "as mentiras de François Fillon", por meio de um comunicado. O socialista assegurou que tomou conhecimento do caso judicial do candidato conservador pela imprensa. "O único escândalo existente nesta campanha não envolve o Estado, e sim uma pessoa que terá que se explicar à justiça", diz a nota do Palácio do Eliseu.

Até então discreto nesta campanha eleitoral, na qual decidiu não tentar a reeleição para apoiar a pré-candidatura de seu ex-primeiro-ministro Manuel Valls, Hollande também denunciou na manhã desta sexta-feira (24) a falta de dignidade e responsabilidade de Fillon. "Não quero entrar no debate eleitoral, não sou candidato, mas há uma dignidade, uma responsabilidade a respeitar. Acredito que Fillon agora se encontra para além ou abaixo", disse.

O presidente francês voltou a declarar que não se envolve na campanha. "Felizmente há um gabinete que trabalha, mas não nos intrometemos nestes casos. Vocês já conhecem a minha posição, que sempre foi respeitar a independência da Justiça, à presunção de inocência e não interferir nunca [nas decisões da Justiça]", reiterou.

No olho do furacão

Fillon se viu no olho de um furacão após as revelações no fim de janeiro do jornal Le Canard Enchaîné sobre os supostos empregos fantasma. De acordo com as denúncias, o candidato da direita teria embolsado quase € 1 milhão, mas garante que sua esposa e os filhos desempenharam as funções para as quais foram contratados.

As revelações levaram ao seu indiciamento na semana passada - a primeira vez que isso ocorreu com um candidato à eleição presidencial na França.

Vencedor das primárias da direita, Fillon, de 63 anos, chegou a ser o favorito das pesquisas para vencer a eleição, cujo primeiro turno será realizado no dia 23 de abril. Desde que o escândalo veio à tona, o candidato perde pontos e amarga uma terceira colocação, atrás do centrista Emmanuel Macron e da líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen.

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