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Moda/França

Festival francês revela futuros talentos da moda

Coleção da suíça Vanessa Schindler conquistou o júri com uma moda glamour e muita inovação tecnológica
Coleção da suíça Vanessa Schindler conquistou o júri com uma moda glamour e muita inovação tecnológica Jérémie Leconte / Catwalk Pictures
Texto por: Silvano Mendes
4 min

 Durante cinco dias, entre 27 de abril e 1° de maio, o mundinho da moda invadiu a pequena cidade de Hyères, no sul da França, para o 32° Festival Internacional de Moda e Fotografia. Reconhecido como uma das principais vitrines para jovens talentos nessas duas disciplinas, o evento atrai designers dos quatro cantos do planeta.

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Como acontece há mais de três décadas, jornalistas, professores universitários, estudantes, executivos e caçadores de talento se reuniram na Villa Noailles, uma casa modernista desenhada por Robert Mallet-Stevens, para descobrir a nova geração de estilistas e fotógrafos. Referência na indústria da moda, foi por exemplo nesse festival que foram lançados nomes como Julien Dossena, atual diretor artístico de Paco Rabanne, Felipe Oliveira Baptista, que dirige Lacoste, ou ainda Anthony Vaccarello, à frente do estilo da maison Yves Saint Laurent.

O ponto alto do evento é o prêmio de jovens estilistas, vindos do mundo todo. "Os asiáticos, os americanos e os europeus sempre estiveram presentes entre os concorrentes. Mas atualmente temos recebido candidaturas de países como Ucrânia e Irã", comenta Jean-Pierre Blanc, fundador do festival e diretor da Villa Noailles, impressionado pela dimensão que ganhou o festival. No total, cerca de 2 mil profissionais estão inscritos e mais de 250 jornalistas credenciados.

A competição contou com dez finalistas com estilos e origens bem diferentes. Tinha desde a alemã Gesine Försterling, que ganhou uma bolsa de € 15 mil dada pela marca Chloé, até a finlandesa Maria Korkeila, que recebeu uma menção especial do júri e um prêmio de € 10 mil concedido pela maison Schiaparelli, passando por Danial Aitouganov e Lotte Van Dijk, da Holanda, Hermione Flyn, da Nova Zelândia, Hyunwoo Kim, da Coreia do Sul, Fuhong Yang, da China, ou ainda as francesas Marianna Ladreyt e Marine Serre (que também concorre no LVMH Prize, um prêmio para estilistas criado pelo grupo líder mundial do luxo)

Materiais alternativos e formas inovadoras conquistaram o júri

Mas a grande vencedora desta edição foi a suíça Vanessa Schindler, que apresentou uma coleção glamour, mas marcada também por muita pesquisa tecnológica. "Ela propôs uma alquimia inesperada", argumentou Bertrand Guyon, diretor artístico da maison Schiaparelli, que presidia o júri. A jovem se destacou graças ao uso de uma resina química que se derrete e se mistura com as fibras têxteis antes de endurecer. Uma propriedade que permitiu a montagem de peças praticamente sem costuras. A coleção levou os dois principais prêmios, o do público e o do júri, num total de € 55 mil. A jovem também assinará colaborações com as maisons Chanel e Chloé, a marca Petit Bateau e o salão Première Vision, referência na indústria da moda e que acompanha os finalistas antes, durante e nos primeiros anos de carreira após o concurso.

O Festival de Hyères também lançou este ano um prêmio especial para os acessórios, um dos setores mais lucrativos da indústria da moda. A ganhadora desta primeira edição foi Marina Chedel, nascida do Rio de Janeiro, filha de mãe brasileira e pai suiço, que se inspirou nos Alpes, onde passou a infância, para criar um par de sapatos com sola de madeira. Destaque também para a francesa Noémie Nivelet, que não levou nenhum prêmio, mas que chamou a atenção dos profissionais do setor com seus acessórios para calçados.

Nova geração de fotógrafos

Além da moda, durante o festival a residência que pertencia ao casal de mecenas Charles et Marie-Laure de Noailles abre suas portas para a fotografia, com um prêmio especial. Esse ano, os dez finalistas vinham da Europa, dos Estados Unidos, mas também da África do Sul.

Os ganhadores foram o irlandês Daragh Soden, que levou o Grande Prêmio do Júri, e o americano Luis Alberto Rodriguez, que conquistou o Prêmio do Público e da cidade de Hyères, além de um prêmio concedido pela marca American Vintage.

O irlandês Daragh Soden levou o principal prêmio de fotografia do 32° Festival internacional de Moda et Fotografia de Hyères com sua série "Young Dubliners".
O irlandês Daragh Soden levou o principal prêmio de fotografia do 32° Festival internacional de Moda et Fotografia de Hyères com sua série "Young Dubliners". Daragh Soden

Reflexão sobre a evolução da indústria da moda

Longe da correria parisiense, os representantes do setor também aproveitam o festival para discutir sobre o futuro da moda, com uma série de conferências sobre temas tão diversos quanto o uso das novas tecnologias na alta-costura ou o debate sobre blockchain. Os participantes também falaram das novas fronteiras criativas da Europa, um tema vasto, em um momento em que a região enfrenta uma crise migratória histórica, mas também se prepara para perder parcialmente um de seus membros com o Brexit.

Além do interesse das intervenções, o programa de conferências nos lembra a importância da moda para a economia francesa. Afinal, como ressalta o Instituto Francês da Moda, essa indústria representa para o país mais de € 150 bilhões de faturamento por ano, ultrapassando os setores automobilístico e aeroespacial.

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