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França/Política

Eleição de Macron é ousada e mostra uma nova imagem da França

Emmanuel Macron durante celebração de sua eleição na esplanada do Louvre, em Paris. 7/05/2017
Emmanuel Macron durante celebração de sua eleição na esplanada do Louvre, em Paris. 7/05/2017 RFI/Pierre René-Worms
Texto por: Elcio Ramalho
3 min

A vitória do centrista Emmanuel Macron na eleição presidencial francesa é o principal assunto da imprensa nesta segunda-feira (8).

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"A França que ousa”, foi o título escolhido pelo jornal econômico Les Echos para repercutir a vitória do candidato centrista, eleito com mais de 66% dos votos no segundo turno. Na edição especial de 20 páginas, o diário traz um resumo das reformas sociais liberais que ele pretende implantar no país.

Les Echos diz que os franceses escolheram a esperança. Esperança que também renasceu nas principais capitais europeias. Poucos acreditavam no que parecia impossível, mas o povo francês se mostrou pronto a virar a página de uma "geração política desgastada", diz a reportagem.

Feito inédito

“39 anos e presidente!” foi o título escolhido pelo Le Parisien para celebrar a conquista do Palácio do Eliseu pelo jovem Macron. Inédito e histórico. Há três anos ninguém conhecia seu nome no país. O voto em Macron foi de renovação, mas também expressou a revolta. O jornal lembrou que sua adversária Marine Le Pen, da Frente Nacional, teve quase 11 milhões de votos. O mais difícil começa agora, lembra Le Parisien. Para governar e reformar o país, ele precisa de uma maioria clara nas eleições legislativas do mês de junho, alerta o jornal.

Para Le Figaro, Emmanuel Macron conseguiu um feito excepcional. Superou todos os obstáculos pelo caminho, embalado por uma audácia jamais vista no país. Ele não cresceu pensando na função, mas soube aproveitar todas as oportunidades. Macron "superstar", escreve o jornal conservador.

No entanto, com seu incrível talento, ele foi eleito mais por representar uma rejeição dos eleitores a partidos tradicionais do que por seu projeto. Em seu editorial Le Figaro alerta: a França de Macron representa apenas um quarto dos franceses; os demais não se reconhecem em seus valores.

Decisão ousada dos franceses

A cobertura do jornal Libération desta segunda-feira, traz na capa foto do E. Macron com a expressão "Bem jogado” e na última página M. Le Pen com a expressão "Bem feito".
A cobertura do jornal Libération desta segunda-feira, traz na capa foto do E. Macron com a expressão "Bem jogado” e na última página M. Le Pen com a expressão "Bem feito". Libération.fr

Com o título "bem jogado", Libération ressalta a vitória de Macron como uma rejeição da maioria dos franceses às ideias xenófobas da Frente Nacional, um partido da intolerância, mas que se mostrou forte, ameaçador e ativo nessas eleições.

Para Libération, o maior desafio de Macron será o de diminuir a fratura que existe entre uma França feliz e uma França revoltada. Suas reformas deverão contemplar o povo francês que se sente abandonado.

Em uma edição especial, a revista L'Express, que chama Macron de "The Kid", ("O garoto", em tradução livre do inglês), celebra a decisão ousada dos franceses de eleger um homem de 39 anos, bem mais novo que a média de idade da população, e inexperiente em política. Algo excepcional, afirma o texto. A decisão dos franceses é vista pela publicação como subversiva, transgressiva e cheia de esperança.

Segundo L'Express, o país de uma longa história e tradição enviou uma mensagem ao mundo: “A França é jovem, acredita e está de volta”. Mas Macron deve ter cuidado com o futuro, seus desafios e dificuldades, diz o editorial da revista.

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