França/primeira-dama

Brigitte, a conselheira número 1 do governo Macron

Emmanuel Macron, eleito neste domingo presidente da França, e sua esposa Brigitte.
Emmanuel Macron, eleito neste domingo presidente da França, e sua esposa Brigitte. Eric FEFERBERG / AFP

“Ela é um pouco de mim e vice-versa”. A frase, que poderia ter saído de uma letra de bossa-nova, é de autoria do presidente francês eleito Emmanuel Macron, 39 anos. Ela, é sua esposa, Brigitte, 64 anos, que se tornará primeira-dama depois da posse no próximo domingo, e suscita a curiosidade mundial, por conta, principalmente, da diferença de idade que os separam.

Publicidade

Qual será o papel de Brigitte no governo Macron? A primeira-dama não terá apenas uma presença decorativa, afirma o presidente, longe disso. “ Se eu for eleito, Brigitte não ficará dissimulada”, declarou no teatro Antoine, em Paris, em 8 de março, durante uma cerimônia que marcou o Dia Internacional da Mulher. A ex-professora de francês, diz a imprensa francesa, tem uma grande influência. Mesmo ainda sendo iniciante no mundo da política, está mais para Bernadette Chirac, esposa de Jacques Chirac, conhecida pelas suas articulações nos bastidores, do que para Carla Bruni, mulher do ex-presidente Nicolas Sarkozy, que se assumia desinteressada pelo tema.

Brigitte é um das poucas pessoas, segundo o jornal Le Monde, a poder criticá-lo abertamente, sem meias palavras, por um discurso ruim ou atitude titubeante. Às vezes ela faz isso uma maneira “brutal”, revelam alguns próximos do jovem eleito, o que suscitou certos comentários ácidos de alguns correligionários – colocados devidamente em seus lugares pelo futuro presidente. Embora a função da primeira-dama ainda não tenha sido revelada oficialmente, sabe-se que nos bastidores ela continuará sendo, como sempre, a conselheira mais próxima de Macron. De certa forma, quase como quando era sua professora de teatro em Amiens, no norte do país, cidade onde ele cresceu e eles se conheceram.

Sonho de ator

Brigitte era professora de francês em um liceu e coordenava um ateliê de teatro na escola de Macron. Na época com 15 anos, ele sonhava em ser ator e é convidado a participar da trupe. Em uma entrevista recente concedida à revista Paris Match, a futura primeira-dama diz ter ainda viva a lembrança de Macron atuando na peça “La Comédie du langage”, de Tardieu. Seu personagem era um espantalho. “Que presença!”, declarou Brigitte.

No ano seguinte, o aluno pede a ela que o ajude a escrever uma nova versão da peça “A Arte da Comédia”, de Eduardo De Filippo. Surpresa com a ousadia, a professora aceita o pedido e os dois se reúnem todas as sextas-feiras para aperfeiçoar o texto. Era o início de um história de amor, apesar de Brigitte, mãe de três fihos, ainda ser casada. Os dois nunca mais se separaram – por insistência dele.

Aluno brilhante, Macron tem uma trajetória meteórica no setor bancário e se torna ministro da Economia do governo François Hollande, em 2014. A primeira aparição pública ao lado de Brigitte acontece em junho de 2015, durante um jantar com o rei Filipe, da Espanha. Nessa mesma época, ela abandona seu cargo de professora em uma escola particular do 16° distrito de Paris, um dos mais chiques da capital para se dedicar integralmente a Macron.

Ela passa então a integrar o dia-a-dia do gabinete do ministro, participando das reuniões e tentando, aos poucos, compreender esse mundo que, segundo o próprio presidente eleito, continua sendo totalmente novo para ela. Brigitte domina, entretanto, a arte do palco e esse parece ser seu maior trunfo nos conselhos dados ao marido. É evidente que ele utiliza, em seus discursos e intervenções, técnicas teatrais para compor seu personagem político, adquiridas também no Cours Florent, umas das escolas de maior renome da França.

Mais popular do que o presidente

A verdade também é que alguns de seus correligionários, que torciam o nariz para essa presença constante, tiveram que se render a uma evidência: Brigitte é popular, sorridente, conversa com a população, posa para fotos, dá autógrafos, e contribuiu, afirma o jornal Le Monde, para a popularidade do marido. O romance atípico deu uma dimensão mais humana ao presidente eleito, trazendo normalidade para uma situação que ainda arrepia os mais conservadores – uma história de amor de um jovem de 15 anos com uma mulher 24 anos mais velha que começa com um adultério.

A imprensa francesa também lembra que, depois de muito tempo, um casal presidencial terá uma relação estável. O ex-presidente François Miterrand, eleito em 1981, tinha um casamento de fachada com sua esposa, Danielle. O ex-presidente Jacques Chirac e Bernadette, sua esposa, ocupavam apartamentos separados no palácio do Eliseu. Nicolas Sarkozy, eleito em 2007, separou-se pouco tempo depois de assumir o cargo de sua esposa, Cecilia, e se casou com a cantora Carla Bruni. O presidente François Hollande, que vivia com Valérie Trieweiller, foi flagrado com a atriz Julie Gayet, o que provocou sua separação. A paz conjugal, agora, finalmente invadiu os corredores do Eliseu.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.