Hollande e Macron participam juntos de cerimônia em memória de escravos

Presidente François Hollande (à dir.) e Emmanuel Macron assistem a cerimônia em homenagem aos escravos no Jardim de Luxemburgo, em 10 de maio de 2017
Presidente François Hollande (à dir.) e Emmanuel Macron assistem a cerimônia em homenagem aos escravos no Jardim de Luxemburgo, em 10 de maio de 2017 REUTERS/Eric Feferberg/Pool

"Fazer as pazes com a memória". Esta foi a mensagem do presidente francês François Hollande ao seu sucessor, Emmanuel Macron, na última cerimônia da celebração do fim da escravidão, realizada nesta quarta-feira (10), no Jardim de Luxemburgo, em Paris.  

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"Agora cabe a você, caro Emmanuel, levar esta mensagem, aqui na França e por todo o mundo", declarou Hollande ao seu sucessor, neste 12° dia de memória do tráfico, escravidão e abolição dos escravos. Macron ouviu o recado do seu padrinho político, sem tomar a palavra.

François Hollande afirmou que "não se trata de opor uma dor a outra, estamos aqui para impedir que o pior possa acontecer, devemos continuar a luta contra os discursos que nos jogam uns contra os outros".

Hollande também lembrou que, há um ano, expressou o desejo da França criar uma Fundação para a memória da escravidão, uma ideia lançada pelo ex-presidente Jacques Chirac, em 2006. Ele declarou estar "orgulhoso de que esta última cerimônia seja dedicada à promessa que ele fez, antes de confiar a Emmanuel Macron a totalidade de seus poderes".

A Fundação para a memória da escravidão deverá ser inaugurada em 2018. A criação de um museu é também uma solicitação permanente das associações antirracistas.

Hollande e sua política memorial

O presidente  aproveitou este último discurso para lembrar a sua "política memorial" nestes cinco anos de mandato, destacando a inauguração, em 2015, do Memorial ACTe em Pointe-à-Pitre, no departamento ultramarino da Guadalupe, o reconhecimento da responsabilidade da França no abandono dos argelinos que combateram por ela durante a Guerra da Argélia, a recente cerimônia de legado da nacionalidade francesa aos combatentes senegaleses, ou ainda o reconhecimento da responsabilidade do Estado nos testes nucleares na Polinésia francesa, entre 1960 e 1996.

Foi a segunda vez que os dois homens se encontraram depois da eleição de domingo (7). Na segunda-feira, 8 de maio, no Arco do Triunfo, Macron participou do seu primeiro compromisso como presidente eleito, ao lado de Hollande da celebração da capitulação nazista e do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Hollande e seu último Conselho dos Ministros

Nesta quarta-feira, François Hollande presidiu o seu último Conselho de Ministros, fazendo uma apologia do diálogo social, outra mensagem clara a Emmanuel Macron. Hollande declarou à imprensa que, "se terminou com as cerimônias como presidente, ninguém pode se afastar da política, sempre se pode ser útil".

 

 

 

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