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França/Brasil

Le Monde destaca prisão de Cabeça Branca, o “Barão da Droga brasileiro”

PF prende um dos maiores traficantes de droga da América do Sul
PF prende um dos maiores traficantes de droga da América do Sul Foto Policia Federal
Texto por: RFI
3 min

O jornal francês narra a detenção de Luiz Carlos da Rocha, chefe do narcotráfico no Brasil detido neste sábado (1) em sua propriedade no Mato Grosso.

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De acordo com Le Monde, no momento da prisão, Rocha, conhecido como “Cabeça Branca” estava com sua mulher e filho mais novo. Armado, ele não resistiu. Não é um personagem violento, mas principalmente um “embaixador do tráfico”, segundo Elvis Secco, delegado da polícia federal, citado pelo jornal.

A operação “Spectrum” foi lançada há um ano e envolveu 150 agentes, seis cidades e três estados. A prisão do traficante é considerada um troféu, embora ele fosse desconhecido do grande público, explica o Le Monde, e mais importante na hierarquia do tráfico do que Fernandinho Beira Mar, por exemplo.

Fichado pela Interpol na América Latina, Luiz Carlos da Rocha era procurado pela polícia há mais de 30 anos. Aos 60 anos, ele se tornou irreconhecível depois de passar por várias operações plásticas. Ele utilizava uma falsa identidade para viver tranquilamente na cidade de Sorriso, no interior do Mato Grosso.

“Scarface do Brasil”

A frente de uma verdadeira multinacional da cocaína, o "Scarface do Brasil", diz o Le Monde, era responsável pela distribuição de até 5 toneladas de cocaína pura em ligação com os produtores da Bolívia, do Peru e da Colômbia. A droga abastecia o Brasil, a Europa e a América do Norte. A sustância era transportada até uma de suas fazendas em aviões bimotores, escondidas em caminhões e levada até o porto de Santos para exportação.

Considerado como o “cérebro” do tráfico, ele se manteve no topo, explica Le Monde, graças à sua capacidade de negociador que o permitiu ficar em “bons termos” com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e com o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. Vivendo longe da guerra entre os dois rivais, ele construiu um patrimônio estimado em US$ 100 milhões (cerca de R$ 329 milhões). Cerca de US$ 2 milhões, que estavam guardados em malas, já foram confiscados.

Para o deputado Major Olimpio, deputado federal especialista em questões de segurança, a prisão de Rocha é uma boa notícia, mas é preciso lembrar que “há mais de 30 anos ele deveria estar atrás das grades. Preso três vezes entre os anos 70 e 80 e condenado a mais de 50 anos de prisão, ele nunca foi encarcerado e sempre conseguiu escapar com a ajuda de uma rede de cúmplices. Mas a detenção do “Barão da Droga” também é vista como uma mudança na mentalidade dos investigadores, que prendem em geral traficantes de baixo escalão.

É a opinião de Pedro Abramovac, da organização Open Society. Entrevistado pelo Le Monde, ele acredita que a operação pode ser o início de uma “pequena revolução” na corporação.

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