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Brasileira viaja de Chicago para ajudar migrantes em Paris

Áudio 08:54
Soraia Oliveira: de Chicago para a crise dos refugiados em Paris.
Soraia Oliveira: de Chicago para a crise dos refugiados em Paris. Maurício Torres Assumpção/RFI

Soraia Oliveira está cursando o mestrado em Assistência Social e Psicologia Clínica na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. Agora, no verão europeu, ela está na França, estagiando em duas ONG’s que trabalham com migrantes e refugiados. Em outras palavras, essa brasileira de Chicago está no olho do furacão da crise dos refugiados em Paris.

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Soraia Oliveira, uma carioca de 52 anos, fala da sua experiência junto aos migrantes com a serenidade do olhar e o sorriso largo de quem ama o que faz. Há quinze anos morando nos Estados Unidos, terminou o primeiro ano do mestrado na Universidade de Chicago com um objetivo em mente: aplicar o que havia aprendido até então numa situação de crise humanitária real e premente – a crise dos refugiados e migrantes que se espalha pela Europa, das ilhas gregas ao norte da França.

Em Paris, Soraia estagia no Centro Françoise Minskowska, uma organização não-governamental que, há cinquenta anos, presta apoio psicológico e psiquiátrico a migrantes, refugiados e exilados políticos.

“O Minskowska leva em consideração o entorno social, a cultura e o que poderia estar influenciando mentalmente o paciente naquele momento que ele está perante o psicólogo ou psiquiatra. Por isso se chama uma ‘abordagem transcultural’ – porque nós levamos em conta todo o contexto cultural do paciente”, diz Soraia.

A experiência na "bolha"

Não satisfeita com o trabalho no centro, Soraia se voluntariou para estagiar em outra ONG, desta vez a Utopia 56. Organização britânica, surgida durante a Selva de Calais, a Utopia opera hoje nos arredores do Centro Humanitário Paris-Norte, mais conhecido como a “bolha dos refugiados”.

“A Utopia faz uma ponte entre o Centro Humanitário Paris-Norte e esses refugiados que estão na rua porque ainda não foram acolhidos pela 'bolha'. São afegãos, sudaneses e africanos em geral que não recebem o tratamento prioritário oferecido aos sírios”, explica Soraia.  

Nos últimos dias do seu estágio de dois meses, Soraia faz um balanço do aprendizado na prática, longe do conforto da sala de aula em Chicago.

“Agora eu tenho uma visão maior, ampliada, da realidade dos refugiados e dos migrantes econômicos na Europa. Mesmo que eu nunca mais vá ver aquele refugiado que eu ajudei, por menor que tenha sido a minha contribuição, seja dando aula de francês na rua ou atendendo os pacientes no centro Minskowska, eu tenho certeza que aquele momento foi importante para a pessoa. Viver esse momento de ajudar alguém é muito importante. Às vezes, nós pensamos que é pouco, mas o pouco que fazemos é, para cada um deles, um tesouro. Tem, realmente, um peso muito grande”, conclui.

Clique no quadro abaixo para assistir a entrevista completa.

 

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