França/imigração

França: clandestino anônimo que salvou duas crianças não será mais expulso

Em 2015, Aymen, um imigrante tunisiano clandestioj salvou uma mãe e seus dois filhos de um incêndio.
Em 2015, Aymen, um imigrante tunisiano clandestioj salvou uma mãe e seus dois filhos de um incêndio. Reprodução de vídeo RMC

As autoridades francesas anunciaram na segunda-feira (4) que o imigrante tunisiano Aymen Latrous, que vive ilegalmente na França, não será mais expulso do território. A decisão foi divulgada um dia depois da imprensa francesa questionar porque ele, que salvou duas crianças em 2015, não obteve um visto pelo seu ato de bravura, como foi o caso do malinês Mamoudou Gassama, que escalou quatro andares de um prédio para salvar um menino pendurado na sacada.

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A decisão foi anunciada um dia depois da imprensa francesa questionar porque ele, que salvou duas crianças em 2015, não obteve um visto pelo seu ato de bravura, como foi o caso do malinês Mamoudou Gassama, que escalou quatro andares de um prédio para salvar um menino pendurado na sacada.

A história, filmada, viralizou na internet e virou notícia em vários países. A façanha do jovem malinês Mamoudou Gassama teve uma repercussão inesperada. Recebido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, ele teve sua situação regularizada e obteve a nacionalidade francesa. O tunisiano Aymen Latrous, assim como Mamoudou, é um herói.

Em abril de 2015, em Fosse, na região parisiense, ele e dois amigos salvaram duas crianças pequenas de um apartamento em chamas. Pelo ato heróico, eles receberam até mesmo uma medalha da prefeitura da cidade. O único registro do salvamento está uma foto do jornal local. Sem midiatização, a decisão sobre o destino do tunisiano em território francês não foi tratada da mesma maneira.

Salvo pelo gongo

O jornal Le Parisien trouxe a história à tona em uma entrevista publicada neste domingo (3), que repercutiu em toda a imprensa francesa. Depois da publicação, o ministro da Coesão Terrritorial, Jacques Mézard, declarou que Aymen não deveria ser expulso. Em um comunicado, a Secretaria de Segurança Pública da região de Val d’Oise, perto de Paris, onde vive o jovem imigrante, declarou que seu pedido de visto seria reavaliado “porque obteve uma promessa de que seria contratado”.

Foi o próprio Aymen que entrou com contato com o jornal Le Parisien depois do que aconteceu com o jovem malinês. O tunisiano chegou à França no final de 2013, depois de uma travessia de dois meses nos Balcãs. Sua família ficou na Tunísia.

 

 

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