23 ONGs ambientais pedem fim da gasolina e do diesel na França

A ONG “Réseau Action Climat e mais 22 associações (incluindo Greenpeace, WWF, Fundação para a Natureza e Oxfam) se engajam no debate sobre o aumento do preço dos combustíveis.
A ONG “Réseau Action Climat e mais 22 associações (incluindo Greenpeace, WWF, Fundação para a Natureza e Oxfam) se engajam no debate sobre o aumento do preço dos combustíveis. @ReseauActionClimat

Um apelo por “medidas rápidas para financiar alternativas ao carro” foi lançado nesta segunda-feira (12) na França por 23 ONGs, incluindo Greenpeace, WWF, Fundação para a Natureza e o Homem e Oxfam. Publicado no site FranceInfo, o documento pede o fim da dependência dos combustíveis e critica a alta dos preços da gasolina e do diesel.  

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No texto, as ONGs lembram que é preciso reforçar os mecanismos de vigilância ecológica na França para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. “A poluição do ar continua, todos os anos, a provocar 48.000 mortes prematuras em nosso país”, afirmam. “O governo também é responsável pela crise atual, já que não propõe medidas rápidas para financiar as alternativas ao carro e não ajuda aqueles que não podem se locomover de outra forma”.

De acordo com as associações, o governo se focaliza nos cidadãos franceses, mas se esquece dos principais setores poluidores, como o aéreo ou o transporte rodoviário de mercadorias. “A política do governo atual não é coerente com a urgência climática, nem a social”, diz o texto.

Terminar com o vício do petróleo

Os signatários do apelo lembram que há várias soluções para os impasses atuais. Uma delas é a aprovação da “lei mobilidade”, que deve ser apresentada no Conselho de ministros no dia 21 de novembro, e pode, segundo as associações, “contribuir para o fim da dependência do diesel e da gasolina”.

Para que isso ocorra, diversas medidas devem ser tomadas: desenvolvimento de transportes públicos e incentivo do uso das bicicletas, investimento em veículos menos poluidores, aumento da via férrea no país – que deve ser mais moderna e mais acessível – e a aproximação dos polos de trabalho dos bairros residenciais.

Enquanto essas mudanças não chegam, o governo deve ajudar financeiramente os cidadãos que, por razões geográficas, só podem se locomover de carro, de acordo com o texto. “Para que eles possam enfrentar a alta dos preços dos combustíveis”, dizem as ONGs. “É preciso liberar nosso país de seu vício do petróleo”.

Fim de carros antigos

A Metrópole Grande Paris (MGP), que inclui a capital francesa e outras 130 cidades, votou nesta segunda-feira a proibição da circulação de veículos "excessivamente poluidores" a partir de 2019.

De acordo com a nova legislação, os veículos que funcionam com óleo diesel e que têm mais de 18 anos, e os que consomem gasolina e têm mais de 21, serão interditados em um largo perímetro em torno de Paris.

“Devemos demonstrar que somos corajosos”, disse o presidente da MGP, Patrick Ollier, afirmando que entre 5.000 e 6.000 mortes por poluição ocorriam na região todos os anos.

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