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França/coletes amarelos

Governo francês descarta estado de emergência apesar de violentos protestos

Governo francês busca respostas após caos durante protestos em Paris
Governo francês busca respostas após caos durante protestos em Paris REUTERS/Stephane Mahe
Texto por: RFI
4 min

O governo francês descarta de imediato a instauração do estado de emergência no país. A extrema direita e esquerda radical defendem a dissolução da Assembleia Nacional e pedem novas eleições legislativas. O partido de direita Os Republicanos sugeriu um referendo sobre impostos a favor da ecologia. Todos preconizam um adiamento da alta do imposto sobre os combustíveis, que desencadeou os protestos dos coletes amarelos.

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O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, receberá nesta terça-feira (4) membros do movimento coletes amarelos que pediram uma audiência com o premiê. Philippe também anunciou que vai propor na próxima quarta-feira (5) a organização de um debate na Assembleia Nacional sobre a crise que afeta a França há duas semanas. Mas, apesar da gravidade da situação, o secretário de Estado para o Ministério francês do Interior, Laurent Nuñez, disse que o estado de emergência não será adotado imediatamente. Em entrevista à rádio RTL, ele declarou que o conjunto de “medidas existentes” para enfrentar a situação será analisado.

Membros do governo deram declarações contraditórias sobre o assunto no fim de semana. No sábado, o ministro do Interior, Christophe Castaner, disse que o estado de emergência “não era um tabu”. Já a ministra da Justiça, Nicole Belloubet, declarou neste domingo (2) que havia “outras opções”.

O “regime de exceção” já havia sido adotado durante a crise nos subúrbios parisienses em 2005 e depois dos atentados terroristas de Paris, em 2015. A França colocou um fim ao estado de emergência depois da promulgação da lei de segurança interna e luta contra o terrorismo, que integrou ao direito comum dispositivos aplicáveis somente em situações de crise.

Dissolução da Assembleia Nacional e referendo

Para diminuir a tensão, a oposição e uma parte dos "coletes amarelos" pediram um adiamento da alta dos impostos sobre o combustível, medida do governo que desencadeou o movimento, além do retorno do ISF (Imposto sobre a Fortuna), extinto pelo governo Macron. A líder de extrema direita do partido Reagrupamento Nacional, Marine Le Pen, voltou a defender a dissolução da Assembleia Nacional neste domingo (3). Le Pen e o representante da extrema esquerda, Jean-Luc Mélénchon, também propuseram eleições legislativas antecipadas para sair da crise.

Já o representante do partido conservador Os Republicanos, Laurent Wauquiez, sugeriu um referendo sobre os impostos aplicados à política de transição energética na França. Segundo ele, o presidente francês, Emmanuel Macron, defende “uma ecologia que é baseada em taxas. É um erro, mas deve haver um debate sobre o tema. Os franceses devem ser consultados”. A pedido de Macron, o primeiro-ministro deve receber nesta segunda-feira (3), durante todo o dia, os representantes dos 12 partidos que integram o Parlamento. O último encontro será às 19h30 com Fabien Roussel, do PCF (Partido Comunista Francês).

Baderneiros diante da Justiça

Segundo o Ministério Público francês, 139 manifestantes compareceram nesta segunda-feira (3) à Justiça e dezenas serão julgados em "audiências de comparecimento imediato". Eles foram detidos no sábado durante os protestos. Por enquanto, 111 deles tiveram a detenção para interrogatório prolongadas. De acordo com um balanço do Ministério do Interior francês, 136 mil pessoas foram às ruas na França para protestar contra a baixa do poder aquisitivo e a alta dos impostos sobre os combustíveis. A polícia prendeu 682 pessoas em toda a França – 412 só em Paris. O tumulto deixou pelo menos 263 feridos, entre eles, 81 policiais.

Os confrontos entre a polícia e os "coletes amarelos" e baderneiros infiltrados deixaram um rastro de destruição em Paris. O Arco do Triunfo foi pichado e saqueado e está fechado para os visitantes nesta segunda-feira (3). Cerca de 249 incêndios foram registrados na capital, principalmente nos bairros mais ricos, como o 8° distrito, onde está localizada a avenida Champs Elysées, símbolo do luxo francês que contrasta com o difícil cotidiano de muitos manifestantes. Segundo o governo, a maioria deles vêm do interior do país. A faixa etária média de uma boa parte deles oscila entre 30 e 40 anos, muitos trabalham e estão inseridos socialmente.

 

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