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A Semana na Imprensa

Revista francesa explica razões do ódio contra Macron

Áudio 02:57
Alguns "coletes amarelos" pedem a demissão do presidente Emmanuel Macron.
Alguns "coletes amarelos" pedem a demissão do presidente Emmanuel Macron. REUTERS/Stephane Mahe
Por: Silvano Mendes

A revista L’Express traz esta semana uma longa reportagem na qual tenta explicar as razões da queda de popularidade do presidente francês, Emmanuel Macron. A publicação afirma que o chefe de Estado se tornou prisioneiro da imagem de um monarca arrogante, indiferente ao sofrimento de seu povo.

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As várias reportagens publicadas pela L’Express têm como fio condutor a tensão crescente entre Emmanuel Macron e os franceses, que vai muito além da crise dos “coletes amarelos”. “Sabíamos que o presidente era impopular, mas agora descobrimos que ele é detestado”, escreve uma das jornalistas.

Segundo o sociólogo Jean-Pierre Le Goff, entrevistado pela revista, Macron “cristaliza 30 anos de raiva” da população contra outros problemas franceses, como os impostos elevados, ou ainda os gastos públicos considerados desnecessários. No entanto, comenta o pesquisador, a maneira como o presidente tem se comportado desde o início de seu mandato só piorou a situação.

Frases indelicadas

O sociólogo faz alusão a uma série de episódios, marcados por frases indelicadas do chefe de Estado. Como quando Macron declarou que os franceses eram avessos a mudanças ou ainda quando falou a um jovem desempregado que bastava atravessar a rua para encontrar um trabalho.

Segundo o filósofo Marcel Gauchet, também ouvido na reportagem, Macron não entendeu que as frases de impacto que pronunciava durante a campanha presidencial não condizem com seu cargo atual. “Na corrida eleitoral, ele falava de igual para igual com seu interlocutor. Agora suas palavras são a expressão do poder”, analisa o filósofo.

Gastos considerados extravagantes

Por essa razão, como explica um outro texto da revista, em apenas 6 meses a porcentagem dos franceses que afirmam não confiar mais em Macron passou de 24% para 44%. Uma queda que começou já nos primeiros meses de seu mandato, por decisões que podem parecer detalhes, mas que afetaram sua imagem. Foi o caso da construção de uma piscina na casa de veraneio presidencial ou ainda a compra de um jogo de jantar de porcelana, avaliado em centenas de milhares de euros, para o Palácio do Eliseu, ambos vistos pela população como gastos extravagantes.

“Macron até conseguiu instaurar uma imagem forte de presidente desde sua eleição, principalmente com sua caminhada triunfal no Museu do Louvre, no dia da vitória. No entanto, ele não conseguiu conjugar essa distância [do povo] com a proximidade indispensável para instaurar uma relação de confiança e acabou irritando a maioria dos franceses”, avalia L’Express. Segundo a revista, muitos desses cidadãos indignados com a postura do presidente agora apoiam o movimento dos “coletes amarelos”.

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