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França/suicídio

Região da Bretanha é recordista de suicídios na França

A cidade de Saint-Malo, em Côtes d'Armor
A cidade de Saint-Malo, em Côtes d'Armor AFP PHOTO DAMIEN MEYER
Texto por: RFI
3 min

Com cerca de 850 mortos por ano, segundo dados divulgados em fevereiro pelo Observatório Nacional do Suicídio, a Bretanha tem a taxa de suicídios mais alta do país. O fenômeno, segundo a coordenadora da Agência Regional da Saúde, Sylvie Dugas, faz parte da história cultural de algumas famílias.

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Com cerca de 24,7 mortos para 100 mil habitantes, a Bretanha apresenta uma taxa de suicídio bem superior à média nacional (15,8) que já é uma das mais elevadas da Europa. Em algumas áreas, como Côtes d’Armor ou Loudéac, a mortalidade às vezes atinge o dobro da média nacional. O suicídio é também a segunda causa de morte entre os jovens de 15 a 24 anos.

As razões dessa tendência, que teve início nos anos 50 e explodiu na década de 90, foram em parte explicadas em um estudo divulgado no início dos anos 2000. De acordo com a representante da Agência Regional da Saúde francesa, esse estudo mostrou que o pós-guerra teve um grande impacto no modo de vida da população bretã, que vivia isolada. Entre os fatores que estimularam os suícidios estão os efeitos do desenvolvimento econômico no setor agrícola e o contato com diferentes culturas.

“A cultura e a língua bretãs são objeto de diversas medidas coercitivas, e até mesmo de interdição da sua prática”, indica o estudo, coordenado por Yannick Barbançon, sublinhando “a importância da língua e da cultura em termos de equilíbrio da personalidade.” De acordo com Sylvie Dugas, “o suicídio faz parte da história de certas famílias”, e muitas vezes atinge vários de seus membros.

Ela participou de diversas reuniões de prevenção promovida pela prefeitura de Pampol, em Côtes d’Armor, e ouviu vários depoimentos. Uma mulher contou ter perdido o marido de maneira trágica. “Ele sempre me disse que se enforcaria antes dos 36 anos e foi o que fez, um mês antes do seu aniversário”, declarou. Seu pai e tio já haviam cometido suicídio. Outra moradora revelou que seus filhos sempre perguntam "se ela também colocará fim a seus dias".

Operações de prevenção

Diante desse fenômeno alarmante, várias operações de prevenção foram lançadas na região, como o acompanhamento de pessoas com tendências suicidas. Cerca de 20 “vigias” também foram formados para detectar moradores que poderiam ser suicidas potenciais. Os vigias são pessoas da comunidade que estão no contato diário com a população: farmacêuticos, comerciantes ou carteiros que exercem uma verdadeira função social nas pequenas cidades francesas.

(Com informações da AFP)

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