História

Há 75 anos, Paris se insurgia e se libertava do regime nazista

Cartaz homenageia a insurreição de Paris contra os nazistas, ocorrida há 75 anos.
Cartaz homenageia a insurreição de Paris contra os nazistas, ocorrida há 75 anos. Prefeitura de Paris/ Facebook
Texto por: RFI
6 min

Paris comemora os 75 anos da liberação da cidade dos nazistas, uma conquista eternizada pelas palavras do general Charles de Gaulle, em 25 de agosto de 1944: “Paris ultrajada. Paris quebrada. Paris martirizada. Mas Paris liberada!” No total, as tropas alemãs ficaram 1.500 dias na capital francesa.

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Neste domingo (25), a cidade realiza uma série de eventos comemorativos para marcar a data. Uma celebração aconteceu na torre Eiffel, em homenagem aos seis bombeiros que subiram o monumento, sob fogo inimigo, para substituir o estandarte nazista pela bandeira francesa.

Ao meio-dia, uma gigantesca bandeira foi desenrolada no primeiro andar da torre, na presença de turistas, bombeiros e políticos. Jeanne-Marie Badoche, filha do capitão Lucien Sarniguet, que foi obrigado a retirar a bandeira francesa em 1940 e retornou ao local quatro anos depois para recolocá-la, estava presente e emocionada com a celebração.

Outra cerimônia acontece na Porte d’Orléans, no sul da cidade, pela qual o general Leclerc e suas tropas entraram em Paris depois da liberação. “As pessoas ficaram doidas! O clima estava extraordinário. Muitas garotas não voltaram para casa naquela noite”, recorda-se René Gonin, que tinha 24 anos na época.

Parisienses se revoltaram

A liberação de Paris ocorreu quase quatro três meses depois do Desembarque aliado na Normandia, ocorrido em 6 de junho de 1944. No dia 15 de agosto, os aliados atracam também pelo sul, na Provença, mas a chegada à capital ainda parecia distante. Os parisienses então organizam uma revolta popular, a começar pelo comando da polícia.

Viatura alemã pega fogo em frente à catedral Notre-Dame de Paris, durante a batalha pela liberação da capital (22/08/1944).
Viatura alemã pega fogo em frente à catedral Notre-Dame de Paris, durante a batalha pela liberação da capital (22/08/1944). AFP

No amanhecer de 19 de agosto, 3 mil policiais franceses à paisana tomaram a caserna da île de la Cité, no centro de Paris, onde os bombeiros já estavam rebelados e haviam erguido a bandeira tricolor quatro dias antes. É o início da insurreição de Paris, em meio a uma greve geral lançada na cidade no mesmo momento.

Seis dias de combates contra as forças alemãs transformaram a capital num campo de batalha, mas segundo os historiadores, os 20 mil soldados nazistas, mal equipados, pouco resistiram à empreitada. Apenas 167 policiais franceses perderam a vida, apesar da ordem de Adolf Hitler ao general Von Choltitz de reduzir Paris a ruínas – missão que ele decidiu, de última hora, desobedecer.

A vitória se consolidou com a chegada das primeiras tropas aliadas nas ruas da capital, em 24 de agosto. Dois dias depois, o general De Gaulle desfilaria, triunfante, na avenida Champs Elysées, aplaudido pela multidão.  

Parisienses comemoram o fim da ocupação nazista com desfile nas ruas, em 26 de agosto 1944.
Parisienses comemoram o fim da ocupação nazista com desfile nas ruas, em 26 de agosto 1944. AFP File

Novo museu leva a quartel-general clandestino no sul de Paris

Para recordar esse momento crucial da história, Paris inaugurou neste domingo um novo museu, que relembra os quatro anos de ocupação nazista e a semana de insurreição que levou à libertação. "Começa com uma França abatida e termina com uma França que se põe de pé", resume Sylvie Zaidman, diretora do novo museu localizado no sul de Paris, em substituição a um espaço aberto anteriormente (1994 a 2018), que nunca superou os 14 mil visitantes anuais.

Museu da Liberação de Paris possibilita descer até o quartel-general da resistência parisiense, no sul da capital francesa.
Museu da Liberação de Paris possibilita descer até o quartel-general da resistência parisiense, no sul da capital francesa. RFI/I. Martinetti

"Antes, os avós podiam contar o que aconteceu. Mas há cada vez menos testemunhas. É por isso que o museu toma seu lugar, conta a história", afirmou Zaidman, que defende uma rota "muito clara e pedagógica, para que todos possam entrar na história".

Em um espaço de 2.500 m2, 300 objetos, fotografias, cartas e pedaços de filmes de época oferecem ao visitante uma cronologia de como os parisienses viviam o governo colaboracionista de Philippe Pétain, e como celebraram o triunfo do general de Gaulle.

O ponto alto da visita, que só poderá ser descoberto em grupo e com inscrição prévia, é a descida por uma escadaria estreita que leva a 20 metros de profundidade: ali se encontrava o quartel-general clandestino de Henri Rol-Tanguy, líder da Resistência.

O operário comunista, que se tornou comandante das Forças Francesas do Interior (FFI) na região parisiense, esperou ansiosamente a chegada dos aliados, com sua esposa e uma dúzia de simpatizantes.

Alguns dos equipamentos do abrigo também são preservados de onde ele coordenou a insurreição de Paris, como um armário enferrujado e um sistema de pedalar para gerar eletricidade.

Com informações AFP

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