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“Conservar a paz é maior desafio do nosso tempo”, avalia Macron

Presidente francês, Emmanuel Macron, durante sessão plenária do Fórum de Paris sobre a Paz, em 12 de novembro de 2019.
Presidente francês, Emmanuel Macron, durante sessão plenária do Fórum de Paris sobre a Paz, em 12 de novembro de 2019. ludovic MARIN / POOL / AFP
Texto por: RFI
4 min

Chefes de Estado e de Governo de pelo menos 13 países estão na capital francesa para a segunda edição do Fórum de Paris sobre a Paz, que ocorre nesta terça e quarta-feiras (12 e 13). Na abertura do evento, o presidente francês, Emmanuel Macron, avaliou que “estamos diante do maior desafio do nosso tempo: ganhar a paz, conservá-la e transmiti-la às gerações futuras”.

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A conferência acontece em um momento de descrédito nas organizações multilaterais, que atuam na mediação de conflitos. “Acredito em uma crise sem precedentes do nosso sistema internacional”, disse Macron, em discurso aguardado depois que o francês declarou, na semana passada, que a Otan se encontra “em estado de morte cerebral”, já que União Europeia e Estados Unidos têm dificuldades de se entender.

“A Europa é provavelmente o lugar do mundo onde conhecemos o preço da cooperação, ou melhor, o preço da não-cooperação. (...) O nacionalismo é a guerra, e a não-cooperação descontruiria o que conseguimos construir nos últimos anos”, avaliou Macron, nesta manhã.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente do Congo, Félix Tshisekedi, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, são alguns dos convidados presentes. Os Estados Unidos não enviaram representantes de alto nível.

China prega abertura

“Não devemos agir sozinhos; pelo contrário, devemos trabalhar unidos. A China defende a ordem internacional baseada nas Nações Unidas e deseja promover uma economia mundial mais aberta”, argumentou o vice-presidente chinês, Wang Qishan, ao promover a “estratégia de abertura [de Pequim] em que todos ganham”. Em meio à guerra comercial com os Estados Unidos, ele lembrou que o mercado chinês tem 1,4 bilhão de consumidores.

Também em defesa do multilateralismo, Ursula von der Leyen prometeu implementar “uma verdadeira comissão europeia geopolítica”, para favorecer “uma Europa mais voltada para o exterior”. “Apenas juntos é que poderemos operar pela paz e a prosperidade”, disse a comissária.

O Fórum de Paris sobre a Paz foi criado no ano passado, durante as comemorações do Centenário da Primeira Guerra Mundial. Além de dirigentes mundiais, o evento reúne organizações internacionais, como a OCDE, empresas e representantes da sociedade civil, que vêm a Paris apresentar “soluções para uma melhor organização do planeta”, conforme os organizadores. As propostas giram em torno de temas como mudanças climáticas, educação, fake news e criminalidade na internet.

Especialista critica duplo discurso da França

Apesar dos discursos, Tony Fortin, pesquisador do Observatório de Armamentos, avalia que nada mudou desde a primeira edição do fórum. “As vendas de armas só aumentam. Concretamente, não há nenhuma melhora”, resume, em entrevista à RFI.

“Não há um debate sério sobre o assunto nem aqui na França. [Os políticos] se concentram num debate estéril sobre a defesa da paz, mas enquanto não nos questionamos sobre o que estamos fazendo em alguns lugares do mundo, como no leste africano ou o Iêmen, vai ser complicado de avançar de verdade”, afirma o especialista em armamentos.

Com informações da AFP

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