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Quirguistão/crise

Oposição forma governo provisório e anuncia mudanças

A líder do governo interino, Rosa Otounbaïeva, durante entrevista coletiva em Bichkek, em 8 de abril de 2010.
A líder do governo interino, Rosa Otounbaïeva, durante entrevista coletiva em Bichkek, em 8 de abril de 2010. ©Reuters
6 min

No Quirguistão, a situação continua extremamente tensa, depois que a oposição tomou violentamente o poder na capital Bichkek na quarta-feira, deixando um saldo de 68 mortos e 527 feridos.

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A líder do movimento de oposição, Rosa Otounbaïeva, após auto-proclamar um novo governo, anunciou que praticamente todas as regiões do país estão controladas. Ela declarou que pretende nos próximos seis meses alterar a Constituição do país e mudar as leis das eleições e dos partidos politicos.

Toda a propriedade, inclusive as empresas de comunicação e a Companhia Estatal de televisão, que segundo o novo poder foram ilegalmente apropriados pelo governo anterior, passarão ao novo governo interino do Quirguistão.

Rinat Valiulin, correspondente da RFI em Moscou

Segundo declarações dos seus representantes, todas as estruturas do poder executivo, isto é – a polícia e o exército – estão sob o seu controle. As funções do presidente e do governo anterior passaram também ao governo provisório. A nova chefe do governo confirmou ainda que o parlamento da República foi dissolvido e as atividades da comissão eleitoral estão suspensas até ser adotado a nova lei sobre as eleições.

Agências de notícias locais informam que Kourmanbek Bakiev, o presidente deposto, encontra-se na sua localidade natal, em Jalalabad, no sul do país e se prepara para devolver o poder para o seu gabinete. O filho do presidente, que tinha ocupava o posto do diretor da agência para o desenvolvimento, encontra-se agora, junto com o ministro do Interior e alguns outros membros do antigo governo, nos Estados Unidos para participar no Fórum Econômico organizado pelas autoridades americanas.

Saques

A casa do presidente, o Parlamento e o Palácio de Justiça foram saqueados e incendiados.Dezenas de moradores invadiram nesta quinta-feira o palácio presidencial, alvo de ataques violentos, e de lá levaram objetos como livros e até os aquecedores do chefe de estado.

Nas paredes foram pixadas frases  "morte a Bakiev", expressando a revolta da população com um dirigente acusado de corrupção, nepotismo e de abuso de autoridade em um país mergulhado em uma profunda crise econômica.

Delegacia de polícia queimada depois de afronto no centro da cidade de Bichkek.
Delegacia de polícia queimada depois de afronto no centro da cidade de Bichkek. Reuters

Do lado de fora, moradores circulam entre carros queimados e caminhões usados no dia anterior como escudo para forçar a entrada no palácio e enfrentar as forças de ordem que dispararam contra a multidão na tentativa de evitar a tomada do prédio.

Rússia e Estados Unidos, que possuem bases militares nesse país, deploraram os fatos e o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, ofereceu ajuda ao Quirguistão após conversa telefônica com a líder da oposição.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, fizeram um apelo para as partes dialogarem e cessarem com a violência.
 

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