Capitalização da Petrobrás é destaque da imprensa francesa

Plataforma da Petrobras, Derrick P-51 em Angra dos Reis.
Plataforma da Petrobras, Derrick P-51 em Angra dos Reis. (Photo : Reuters)

A capitalização da Petrobrás é destaque dos jornais franceses desta segunda-feira. O econômico Les Echos traz artigo de meia página sobre a operação que, lembra o jornal, será a maior oferta de ações da história.

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Para o Les Echos, o programa faraônico de investimentos para a exploração do pré-sal se inscreve nas ambições do presidente Lula de fazer com que o Brasil entre, em 2020, para o ranking das 5 maiores economias mundiais. O jornal afirma, ainda, que, após a capitalização, a participação do governo na Petrobrás pode chegar a 56% do capital da empresa.

O jornal conservador Le Figaro também traz matéria sobre a operação e lembra que o governo fixou o preço de 8 dólares e 51 centavos para cada barril de petróleo que será cedido a Petrobrás no pré-sal. Um valor superior à média mundial, afirma o Figaro.

O jornal diz, ainda, que a tranquilidade com que os meios econômicos vêem a corrida presidencial no Brasil descarta o tradicional "risco político", que poderia ameaçar a maior operação de capitalização da história.

Reforma previdência

Já a reforma da previdência na França, que começa a ser apreciada pela Assembléia nesta terça-feira, quando foi convocada uma greve geral no país, é o principal destaque dos jornais franceses.

As diferentes posições ligadas à reforma refletem nas manchetes dos diários desta segunda-feira. A favor da rerforma, o conservador Le Figaro deixa clara sua posição já na primeira página, com artigo publicado sob o título : "semana decisiva para uma reforma capital".

Em seu editorial, o Figaro critica os partidos de oposição, que "preferem tapar os ouvidos quando são lembrados de que grande parte dos governos de esquerda europeus modificaram a idade legal para a aposentadoria".

O jornal econômico Les Echos também julga a reforma necessária e lembra que a previdência social francesa tem hoje um rombo de 30 bilhões de euros, o que representaria 15% da riqueza nacional.

Opinião oposta tem o jornal comunista Humanité, que vê na reforma do presidente Nicolas Sarkozy o "triunfo de uma das piores visões neoconservadoras do Ocidente". Para o jornal, a direita francesa atravessa uma crise política e moral sem precedentes. O jornal de tendência socialista Libération também considera que existe, atualmente, duas crises na França : uma, social, e outra, moral.
 

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