Imprensa lamenta a morte do cineasta Claude Chabrol

RFI

O pioneiro da Nouvelle Vague morreu no domingo aos 80 anos de idade. "Bon vivant", ele filmou com talento e ironia os meandros da sociedade francesa.  

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Claude Chabrol, um olhar se apaga. Esta é a manchete do diário popular Le Parisien, com uma foto genial do diretor com uma lente de aumento no olho direito. Culto, humanista e satírico, ele marcou o cinema francês com seu olhar ácido sobre a burguesia, diz o artigo, que também traz depoimentos de atrizes famosas, entre elas Isabelle Huppert, que filmou sete vezes sob sua direção, em papéis bem fortes. Ela diz: "Ele me filmava como se eu fôsse sua filha, refinado e com muita tolerância, sem tentar me transformar".
Le Parisien
também enfoca a segunda paixão de Chabrol depois do cinema, os prazeres da boa mesa. Ele adorava comer e chegou a publicar um livro de receitas.

Quando a fera morre, diz Libération em sua primeira página, que traz exclusivamente uma foto em branco e preto de Chabrol, com o cachimbo na boca. Em seis páginas, o jornal de esquerda analisa a carreira do diretor, lembrando que durante 50 anos ele esmiuçou os defeitos dos franceses contemporâneos com um humor feroz, raramente dando-lhes uma imagem positiva.

Le Figaro, de direita, reflete que a obra do cineasta é eclética mas coerente, com grandes filmes e alguns fracassos que ele também assumiu .
Claude Chabrol parou de rir, lamenta o diário católico La Croix, escrevendo que o diretor, que era a alegria de viver em pessoa, mordiscou a França da Quinta República com uma ironia feroz. Um exemplo é a citação do próprio Chabrol: "A perversidade é a arte de transformar o bem em mal".
 

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