Jornais destacam greve contra reforma da aposentadoria

Manifestação contra a reforma da previdência proposta pelo governo de Nicolas Sarkozy. Aqui Nice.
Manifestação contra a reforma da previdência proposta pelo governo de Nicolas Sarkozy. Aqui Nice. Reuters

A greve geral monopoliza as manchetes dos principais jornais franceses nesta quinta-feira.Os sindicatos convocaram uma grande mobilização contra a reforma da aposentadoria, que já foi aprovada pelos deputados franceses e será examinada no início de outubro pelo Senado. Um dos pontos mais controversos do projeto é o aumento da idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos.

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"Um clima de revolta", diz a manchete do Libération. Segundo uma pesquisa de opinião publicada pelo jornal de esquerda, 45% dos franceses se dizem "revoltados" pelo atual contexto econômico e social na França e 63% deles afirmam apoiar os grevistas.
Para os analistas de Libération, as manifestações de hoje não devem provocar nenhuma reação do governo. Segundo eles, Sarkozy acredita que daqui a algum tempo, quando a poeira baixar, os franceses o agradecerão por ter tido a coragem de fazer uma reforma impopular mas necessária. Esta seria a estratégia do presidente, já de olho nas eleições de 2012.
Mas os articulistas de Libération acham que essa atitude do governo é muito arriscada. Eles afirmam que o sentimento de injustiça que essa reforma despertou na população não vai desaparecer tão facilmente. Segundo eles, os franceses acreditam que uma reforma é necessária, mas que ela poderia ser feita de outra maneira.
"Aposentadorias: a reforma bem encaminhada apesar da greve", diz a manchete de Le Figaro. "O governo mostra serenidade e determinação enquanto novas greves e manifestações acontecem na França", acrescenta o diário conservador. Segundo Le Figaro, os colaboradores de Sarkozy não acreditam que a greve de hoje possa ameaçar os pontos essenciais do projeto de lei do governo.
O jornal informa que antes mesmo de conhecer o resultado da mobilização desta quinta-feira, os sindicatos já planejam outros dois dias de greve geral, no início de outubro. Para o editorialista Yves Thréard, a greve de hoje é mais uma expressão da tradição sindical francesa do que um sinal de desacordo frontal com o poder. Segundo ele, é evidente que o sistema de aposentadoria francês não pode continuar como é, mas nem os sindicatos nem a oposição apresentaram alternativas viáveis.
Já o jornal comunista L'Humanité publica os resultados de uma outra pesquisa, que revela que 68 % dos franceses apóiam o movimento de greve iniciado pelos sindicatos. Para o editorialista Patrick Apel-Muller, a opinião pública está cada vez mais do lado dos grevistas, e os membros do governo evitam dar declarações que possam colocar mais lenha na fogueira.
"Aposentadorias: os sindicatos não renunciam", afirma a manchete de La Croix. Segundo o jornal católico, os sindicatos sabem que não conseguirão mudar os pontos essenciais da reforma, mas vão lutar por algumas concessões.
Para o diário especializado em economia Les Echos, os sindicatos não conseguem chegar a um acordo sobre a estratégia a seguir, enquanto o governo evita fazer concessões agora para ter margem de manobra durante a discussão no Senado.
 

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