Jornais franceses fazem balanço do governo Lula

Jornais franceses, La Croix e L'Humanité, desta quarta-feira, trazem artigos sobre o Brasil.
Jornais franceses, La Croix e L'Humanité, desta quarta-feira, trazem artigos sobre o Brasil. RFI

Na reta final antes da votação de domingo, a imprensa francesa continua dando destaque ao Brasil, com análises sobre o balanço do governo Lula nas áreas econômica e social. Outro assunto que domina as manchetes de hoje é a apresentação do projeto de orçamento para a França em 2011.

Publicidade

La Croix publica hoje uma reportagem intitulada "Lula, audácia social e prudência econômia". Para o jornal católico, que entrevistou vários economistas brasileiros, o presidente Lula é responsável pelo avanço econômico do país, "graças à continuação da política de seu predecessor, mas também graças a uma política social ambiciosa, que estimulou o poder de compra dos mais pobres".

La Croix afirma que os indicadores econômicos relativos ao Brasil são todos positivos e lembra que o atual presidente tem um índice de aprovação recorde de 80%. Mas, pergunta o jornal, o Brasil decolou graças a Lula, ou foi o chefe do Estado que decolou graças ao Brasil, um país que chegou à maturidade no início do século 21, como a Índia e a China? Para La Croix, as duas hipóteses são verdadeiras: o presidente Lula beneficiou de uma demografia favorável e de um economia já estabilizada ao chegar ao poder, mas também impulsionou o aumento do consumo interno ao melhorar o nível de renda geral da população. E isso garantiu ao Brasil uma boa capacidade de resistência à crise financeira de 2009.

Ainda na onda das eleições presidenciais deste domingo, l'Humanité publica uma reportagem realizada na favela Coreia, na região sul de São Paulo. O texto discute os efeitos do programa Bolsa Família, medida emblemática do governo Lula, no nível de vida das camadas mais pobres da população. O enviado especial do diário comunista, Bernard Duraud, entrevistou moradores da favela para recolher elogios e críticas à atuação do presidente Lula na área social. Ele conclui que a situação dos mais pobres melhorou durante o governo Lula, mas que as desiguladades sociais persistem.

Economia

Nos outros jornais, o assunto que domina as manchetes é a economia. O governo francês apresenta hoje seu projeto de orçamento para 2011. Segundo o conservador Le Figaro, o esforço de economia previsto para tentar diminuir o déficit orçamentário da França é sem precedentes. Para cumprir os compromissos assumidos diante da Comissão Europeia, o orçamento do próximo ano terá um corte de € 40 bilhões. Apesar disso, a previdência social ainda deverá apresentar um buraco de mais de € 21 bilhões. Em 2010, o déficit orçamentário francês deve atingir a cifra recorde de €152 bilhões.

"Saúde, aposentadorias, habitação: o que muda em 2011", diz a manchete de Les Echos. O diário especializado em economia comenta as medidas anunciadas pelo governo para diminuir o déficit da previdência social e ressalta que os franceses vão pagar uma parte da conta. Mas, segundo Les Echos, isso não será suficiente para neutralizar os efeitos da crise. Segundo o jornal, serão necessários anos para que a Previdência Social recupere o terreno perdido em 2009 e 2010.

Libération examina os privilégios fiscais existentes na França, que chegam a 468 e equivalem a € 75 bilhões que o Estado deixa de recolher por ano. Em seu projeto de orçamento para 2011 o governo prevê reduzi-los para garantir um aumento de € 460 milhões na sua receita anual.
"Esse orçamento pós-recessão combina ao mesmo tempo uma redução drástica das despesas e um aumento das receitas, por meio de um corte de 22 privilégios fiscais e de diversos aumentos de impostos. Ele ambiciona reduzir o déficit público de maneira nunca vista em um ano, de 7,8 % este ano para 6% em 2011. Desde 2002, a França nunca conseguiu reduzir seu déficit público de mais de 0,5% ao ano", explica o jornal de esquerda.
Libération também dá destaque ao vírus informático que ataca o Irã desde junho, infectando os computadores que controlam as infra-estruturas industriais do país. Segundo Libération, a República Islâmica acusa os serviços secretos israelenses e americanos de tentar sabotar seu programa nuclear.
 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.