Jornais anunciam radicalização do movimento contra reforma da previdência na França

Jornais destacam radicalização do movimento sindical contra a reforma da previdência.
Jornais destacam radicalização do movimento sindical contra a reforma da previdência. Reuters

O apelo a greves por tempo indeterminado, a partir de 12 de outubro, em vários setores do serviço público francês, é uma das principais manchetes dos jornais nesta quinta-feira. A abertura de uma exposição do fotógrafo americano Larry Clark, no Museu de Arte Moderna de Paris, também cria polêmica por ter sido censurada aos menores de 18 anos, como relata Libération.

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O diário conservador Le Figaro informa que os sindicatos de trabalhadores decidiram endurecer com o governo contra a reforma que aumenta a idade mínima legal da aposentadoria de 60 para 62 anos, já que uma das categorias mais aguerridas, a dos ferroviários, votou a favor de um movimento grevista por tempo indeterminado. Le Figaro relata que o presidente Nicolas Sarkozy está preocupado com incidentes no setor de transportes e pediu aos ministros que fiquem extremamente vigilantes até a adoção do projeto em tramitação no Senado.

Les Echos informa que os ferroviários não vão carregar sozinhos o ônus da radicalização, já que os trabalhadores da companhia de energia e gás EDF-GDF, aeroviários e portuários também votam em assembleias paralisações por tempo indeterminado. Le Parisien destaca a ascensão da corrente sindicalista ultraradical no conflito da reforma das aposentadorias.

Exposição de fotógrafo americano sobre universo adolescente cria polêmica

O jornal de esquerda Libération destaca em manchete a abertura de uma exposição, amanhã, em Paris, do fotógrafo e cineasta americano Larry Clark, que tem um trabalho sobre o universo adolescente e a rebeldia diante dos valores tradicionais. A prefeitura de Paris decidiu proibir o ingresso de menores de 18 anos na exposição, por medo de queixas judiciais, como ameaçaram fazer algumas associações conservadoras, o que para Libération é um ato de censura sem fundamento, ainda mais partindo de uma administração municipal de esquerda. 

O jornal argumenta que a obra de Larry Clark não tem nada de pornográfica, "como alguns reacionários sugerem", apenas por causa de imagens de sexo entre jovens. O jornal diz que bastava um aviso da prefeitura aos pais e o problema estava resolvido. Mas o prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoé, se justificou dizendo que havia risco jurídico para o Museu de Arte Moderna da prefeitura de Paris, organizador da mostra.

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