Maioria dos franceses apoia greve contra reforma das aposentadorias

Capa do Jornal L'Humanité destaca a greve geral por tempo indeterminado que deve começar a partir dessa terça-feira contra a reforma da previdência do governo Sarkozy.
Capa do Jornal L'Humanité destaca a greve geral por tempo indeterminado que deve começar a partir dessa terça-feira contra a reforma da previdência do governo Sarkozy. RFI

A greve geral convocada para esta terça-feira, a quinta paralisação nacional contra a reforma da previdência do governo Sarkozy, tem a simpatia dos franceses.

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A manchete é do jornal Le Parisien: segundo uma pesquisa do instituto CSA, 61% dos franceses aprovam uma greve geral por tempo indeterminado a partir desta terça-feira contra a reforma da previdência do governo Sarkozy. A jornada de mobilização conta com o apoio de 69% dos entrevistados. Dos 37% que são contra a paralisação, a grande maioria, 79%, são eleitores de direita.

O assunto domina as manchetes dos principais jornais do país, na véspera de um movimento em que a principal dúvida é saber se a economia francesa vai ficar paralisada por vários dias como aconteceu em 1995, num movimento social de grande amplitude.

Le Figaro escreve em título que a semana será decisiva para o governo, tanto pelas manifestações programadas como pela votação do projeto de reforma no Senado. O jornal nota que o bloqueio dos portos, iniciado há vários dias nas regiões sul e oeste do país, se intensificou no fim de semana, um mau presságio para o governo.

Em tom dramático, o jornal comunista L'Humanité mostra trabalhadores com rojões nas mãos prontos para literalmente incendiar as manifestações. "Milhares de vezes não", exclama a manchete do jornal comunista para expressar sua rejeição à reforma.

Les Echos faz uma lista das preocupações do governo diante de uma radicalização do movimento. A greve nos terminais petroleiros dos portos se intensifica e pode levar a uma crise no abastecimento de combustíveis. Os trabalhadores do setor público podem ganhar um aliado de peso, com a adesão dos estudantes secundaristas, que decidiram entrar na briga para derrubar a reforma. A maior organização de estudantes franceses, a Unef, convoca uma terça-feira de "faculdades mortas" neste 12 de outubro.

O jornal de esquerda Libération faz uma crítica à classe política francesa, dizendo que tanto os parlamentares de esquerda como os de direita manipularam os dados da previdência para defender suas posições.
 

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