Jornais destacam incertezas quanto ao futuro do movimento grevista na França

4ª greve geral na França organizada nos últimos 40 dias contra a reforma da aposentadoria.
4ª greve geral na França organizada nos últimos 40 dias contra a reforma da aposentadoria. Reuters

"Na falta de um diálogo com o governo, o jeito é continuar indo para as ruas". A conclusão do diário católico francês La Croix ilustra a persistência do movimento grevista na França contra a reforma da aposentadoria. Todos os principais jornais nacionais destacam na primeira página a paralisação desta terça-feira, a quarta desde o início de setembro, e as incertezas quanto ao resultado da radicalização.

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Enquanto o diretor do Partido Socialista, David Assouline, declara que os sindicatos fizeram de tudo para pedir a abertura de negociações, o ministro francês do Trabalho, Eric Woerth, garante que se reuniu com os sindicalistas pelo menos cinquenta vezes, escreve o La Croix.

"O cenário que preocupa o Elysée", é o título do Libération. O jornal publica uma frase de um conselheiro do presidente Nicolas Sarkozy que não quis se identificar dizendo que o governo observa atentamente a envergadura que o movimento ganha.

O bloqueio do país por causa da paralisação dos transportes públicos, a participação em massa dos jovens nas manifestações e a falta de combustível devido à greve dos petroleiros do porto de Marseille era um cenário considerado pelo governo como longe da realidade e, agora, a hipótese já é levada em conta, diz o Libération.

Le Figaro prefere dar destaque ao protesto dos petroleiros contra a reforma portuária. "Caso o porto de Marseille continue bloqueado, a situação vai se complicar na semana que vem, com prejuízos às refinarias", avisa o jornal.

O L'Humanité, por sua vez, insiste que uma outra reforma da previdência é possível, sem a necessidade de aumentar a idade mínima para se aposentar de 60 para 62 anos. Gráficos ilustram a proposta de penalizar as empresas com mais impostos e não os trabalhadores.

Apesar da ameaça de um endurecimento do movimento grevista, o governo continua inflexível em relação aos termos de base da reforma e o Senado acelera a adoção do texto, destaca o diário econômico Les Echos.

 

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