Alemanha/Irã

Merkel confirma detenção de dois jornalistas alemães no Irã

A chanceler alemã, Angela Merkel, confirmou a detenção dos jornalistas alemães no Irã durante uma visita à Romênia.
A chanceler alemã, Angela Merkel, confirmou a detenção dos jornalistas alemães no Irã durante uma visita à Romênia. Reuters

Os dois jornalistas, cujos nomes não foram divulgados, foram detidos depois de entrevistar o filho de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma mãe de família condenada à pena de morte por adultério. As autoridades iranianas acusam os jornalistas de "ligação com uma rede contrarrevolucionária no exterior".

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A chanceler alemã, Angela Merkel, confirmou hoje que tenta obter a libertação de dois jornalistas alemães presos no Irã, acusados pelas autoridades locais de pertencer a "uma rede contrarrevolucionária baseada na Alemanha". Segundo a justiça iraniana, os dois "falsos jornalistas" foram presos depois de entrevistar o filho de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma mãe de família iraniana condenada à morte por adultério. 

O caso de Sakineh ficou conhecido no mundo todo depois que um intelectual francês, Bernard Henri Levy, lançou um manifesto internacional pedindo clemência para Sakineh. Ela foi condenada à morte por lapidação, em 2006, acusada de adultério e cumplicidade na morte do marido. No último dia 8 de setembro, no entanto, as autoridades iranianas suspenderam sua execução devido à mobilização internacional. 

O Comitê Internacional contra a Lapidação (ICS) afirma em seu site que os dois alemães, um repórter e um fotógrafo, foram detidos no domingo, em Teerã, junto com o filho de Sakineh e o advogado da família, durante uma batida policial no escritório do advogado. 

Jornalistas estrangeiros sob estrita vigilância

O jornal espanhol El Pais anunciou ontem que sua correspondente no Irã, Angeles Espinosa, recebeu ordens do governo iraniano para deixar o país. Segundo o jornal, nenhuma explicação oficial acompanhou a recomendação, mas a decisão pode estar ligada a uma entrevista da jornalista com o filho do grande aiatolá Hossein Ali Monazeri, realizada em julho passado. Depois da entrevista, a jornalista foi detida na cidade santa de Qom e teve sua carteira de imprensa confiscada pela autoridades iranianas. 

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