O reforço dos jovens na mobilização social contra a reforma das aposentadorias é destaque na França

A mobilização contra a reforma das aposentadorias tem apoio dos estudantes. Mais de 600 escolas do país estão parcial ou totalmente em greve hoje, o que representa menos de 10% do total.
A mobilização contra a reforma das aposentadorias tem apoio dos estudantes. Mais de 600 escolas do país estão parcial ou totalmente em greve hoje, o que representa menos de 10% do total. Reuters

A presença estudantil nas manifestações das centrais sindicais contra o projeto de reforma da aposentadoria na França é o grande destaque da imprensa nesta sexta-feira. Os jornais repercutem os motivos da entrada dos jovens nos protestos e as consequências para a queda-de-braço entre trabalhadores e governo.

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Para o jornal Libération, a mobilização em massa dos estudantes que saíram às ruas de diversas cidades francesas mostraram uma solidariedade ao movimento social contra a reforma das aposentadorias que prevê , entre outras medidas o aumento de 60 para 62 anos da idade legal para pedir o benefício. Para os estudantes, as mudanças podem retardar a entrada dos jovens no mercado de trabalho, explica o Libé.

O jornal La Croix dedica sua reportagem principal para explicar os temores da juventude francesa. Apoiado em estatísticas, o jornal revela que 75% dos jovens não acreditam que vão ter uma aposentadoria satisfatória já que são pequenas as perspectivas deles contribuir por 41 anos e meio ao sistema. Em entrevista ao jornal católico, o ministro do Trabalho, Eric Woerth, pede que os estudantes reflitam bem e le tenta convencer os jovens de que a reforma visa manter um dos sistemas de aposentadorias mais generosos do mundo. Na França, segundo o La Croix, a média da aposentadoria é equivalente a 3.200 reais.

O comunista L'Humanité escreve em título o recado dos estudantes franceses: "não somos carneirinhos", em referência à percepção de que eles estão sendo manipulados. Esses jovens do ensino médio, que paralisaram diversas escolas, aderiram em massa à mobilização apesar da disposição da polícia em ser rígida com os manifestantes, informa o jornal que ouviu diversos estudantes de uma geração que não quer ser sacrificada, escreve o L'Humanité.

O conservador Le Figaro acusa a Central Sindical CGT de agravar o risco de uma crise no abastecimento de combustíveis na França. Ao bloquear 4 depósitos de combustíveis, a Confederação Geral dos Trabalhadores agravou a situação provocada por uma greve contra a reforma da aposentadoria que atinge 8 das 12 refinarias do país. O governo autorizou na noite de quinta-feira as empresas a utilizarem seus estoques de reserva e pede que a população não corra aos postos de gasolina, informa o Le Figaro.

 

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