A mobilização geral na França é ainda destaque dos principais jornais franceses desta quinta-feira

Os jovens franceses são um dos pilares da mobilização geral que tomou conta do país.
Os jovens franceses são um dos pilares da mobilização geral que tomou conta do país. Reuters

Os jornais franceses que circulam nesta quinta-feira se dividem entre o apoio à reforma da aposentadoria proposta pelo governo Sarkoy para combater o rombo nas contas públicas, a cobertura da mídia estrangeira dos protestos e a mobilização dos estudantes contra um projeto que vai afetá-los no futuro.

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O jornal conservador Le Figaro sai mais uma vez em defesa da polêmica reforma da previdência do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que pretende passar de 60 para 62 anos a idade mínima legal para aposentadoria no país.

Em seu editorial, o jornal afirma que a imprensa estrangeira olha, com surpresa, as manifestações na França, sem entender por que os franceses são tão pouco conscientes da realidade. O editorialista indica que a reforma é necessária e compara a outros países onde a idade mínima para aposentadoria já foi alterada, como o caso da Espanha, que passou de 65 para 67 anos.

"Em nenhum outro país europeu, com excepção da Grécia, as medidas que vêm sendo adotadas para equilibrar as contas públicas, causaram tanto reboliço", afirma o Figaro.

Para o editorialista, as manifestações e reações na França se justificam pelo fato da França ter uma elite conservadora, pouco adepta a mudanças e um estado francês onipresente que não tem mais os meios de suas ambições passadas.

Já o jornal de tendência socialista Libération rebate as críticas feitas pela maioria governamental de que os jovens franceses, um dos pilares da mobilização geral que tomou conta do país, teriam sido manipulados pelos sindicatos.

Para o editorialista do jornal, tanto esse argumento quanto o de que os colegiais são ainda muito novos para se preocupar com a aposentadoria, não têm sustentação.

Segundo o Libê, os estudantes vão hoje às ruas munidos de um sentimento de injustiça, acentuado pelos efeitos da política econômica e social do presidente francês, Nicolas Sarkozy. O jornal afirma que os jovens franceses enfrentam cada vez mais problemas como dificuldades para encontrar trabalho ou alojamentos nas principais cidades francesas.

Já o jornal comunista Humanité é mais contundente. "O governo mente", afirma o jornal em sua manchete. O editorialista do Humanité diz que o governo do presidente Nicolas Sarkozy manipula os dados e mente sobre os riscos de escassez de combustível no país. O jornal critica o governo que, face aos protestos, não tem recuado em sua polêmica reforma da previdência.

 

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