O Banco Central Americano (FED) revolta os emergentes, destaca Le Figaro

Reuters

O suplemento econômico do jornal francês explica que a decisão americana de injetar US$600 bilhões para incrementar sua economia levou o Brasil, Coreia, China e Turquia a acusarem os Estados Unidos de desvalorizar o dólar.

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"Se o Fundo Monetário Internacional acha corajosa a decisão do Federal Reserve (FED) de comprar US$600 bilhões em bônus do Tesouro, considerando que terá efeitos positivos, os países emergentes e os da zona euro se preocupam com os efeitos nefastos da medida para suas economias". Assim começa o artigo do jornal, que publica a declaração da ministra da Economia da França, Christine Lagarde: "É preciso repensar o sistema monetário internacional e os mecanismos de cooperação". Seu colega alemão, Rainer Brüderle, por seu lado, teme a volta de um certo protecionismo. Depois do pacote, o dólar caiu e as Bolsas do mundo todo subiram. Na França, pela primeira vez desde janeiro, o euro atingiu a cotação de US$1,42.

Mas, para Le Figaro, o perigo certamente será maior para os países emergentes como o Brasil, a Coreia do Sul e o conjunto do sudeste da Ásia que, a uma semana do G20, já falam em represália. Como exemplo, é citada a reação do ministro brasileiro da Fazenda, que disse que "todo mundo quer que a economia americana se recupere, mas não adianta ficar jogando dólar de helicóptero". O jornal explica que o Brasil vai aproveitar o G20 como um fórum para reclamar da decisão.

A Coreia do Sul vai reconsiderar "sem piedade" a adoção de controles de capital e o Brasil estaria analisando novas medidas.
Tailândia, Indonésia, Turquia também estudam represálias.

Le Figaro analisa que, mesmo se a decisão do banco central americano não foi uma surpresa, teve o efeito de uma mecha em um barril de pólvora. E conclui com o apelo do Banco asiático de Desenvolvimento para que os países gerem com grande prudência a chegada maciça de capitais estrangeiros, que podem acabar em bolhas de investimento nos mercados emergentes. É citada uma pesquisa do Institut Internacional Finance: os emergentes receberam US$825 bilhões em 2010, contra US$581 bilhões em 2009.

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