Jornais lembram os 40 anos da morte do general Charles De Gaulle

O General Charles de Gaulle.
O General Charles de Gaulle.

Os principais jornais franceses desta terça-feira não deixam passar em branco uma das datas mais marcantes e tristes para o país. Há exatos 40 anos, no dia 9 de novembro de 1970, morria em sua casa o lendário general e estadista francês Charles de Gaulle, poucos dias antes de completar 80 anos de idade e um ano e meio após sua saída do governo.

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Fundador da quinta República e presidente entre 1959 e 1969, De Gaulle foi símbolo da resistência francesa na Segunda Guerra Mundial, quando lançou um apelo pela França livre durante a ocupação pela Alemanha nazista em 1940.

O Le Figaro traz uma página inteira descrevendo o luto do país assim que foi anunciada a morte do general De Gaulle. O jornal lembra da frase dita na televisão pelo então presidente Georges Pompidou, seu sucessor: "A França está viúva".

No editorial do econômico Les Echos, uma análise sobre a influência do gaulismo (gaullisme, em francês), que virou uma ideologia política francesa baseada nas ideias de Charles de Gaulle. O jornalista escreve que o gaulismo é um pragmatismo e que o seu maior herdeiro foi o ex-presidente François Miterrand, que chamava De Gaulle de "rei sem coroa".

Em entrevista à agência de notícias AFP, o ex-presidente Jacques Chirac afirma que o gaulismo foi um estado de espírito contra a adversidade e, sobretudo, uma capacidade de afirmar os valores da França em um mundo em plena ebulição. "A mensagel do general De Gaulle continua atual", opina Chirac.

A pesquisa publicada pelo jornal católico La Croix indica que a personalidade francesa cujas ideias mais se aproximam do gaulismo é Dominique de Villepin, ex-primeiro-ministro da França, que esteve no poder entre 2005 e 2007. Atual rival do presidente Nicolas Sarkozy, o ex-premiê foi citado na sondagem por 29% dos franceses, contra 13% para Sarkozy.

O La Croix anuncia que o atual presidente participa hoje de uma homenagem à De Gaulle. Pela terceira vez desde que assumiu o poder, Sarkozy faz uma visita à sepultura do general, enterrado na cidade de Colombey-les-Deux-Eglises, a 250 quilômetros ao sudeste de Paris.

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