IMPRENSA

Guerra das moedas divide países ricos no G20

As medidas de desvalorização das moedas americana e chinesa colocam os países do G20 em pé de guerra.
As medidas de desvalorização das moedas americana e chinesa colocam os países do G20 em pé de guerra. Reuters

O isolamento dos Estados Unidos e a divisão das grandes potências na reunião do G20, em Seul, são destaques da imprensa francesa desta sexta-feira.

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O diário econômico Les Echos anuncia em sua reportagem principal a dificuldade dos líderes em chegar a um consenso para salvar a reunião anual do grupo das 20 maiores economias do planeta. Eles deveriam chegar a um acordo mínimo sobre questões monetárias e comerciais, lembra Les Echos, ressaltando que Barack Obama pensava em chegar em posição de força à Seul mas virou alvo de críticas até de seus parceiros. Os que criticavam a China pela desvalorização do yuan agora também acusam o dólar fraco como arma usada na chamada guerra das moedas, afirma o diário econômico.

Já o Le Figaro escreve em sua manchete que nesta guerra Obama está isolado. Em editoral, o diário conservador diz que os golpes contra os Estados Unidos começaram com a decisão do Federal Reserve, o Banco Central Americano, de injetar dólares no mercado, medida interpretada com o o objetivo de desvalorizar a moeda que é referência mundial. Depois veio a proposta do secretário do Tesouro americano para limitar em até 4% do PIB o excedente comercial. A China não está mais isolada contra os Estados Unidos, lembra o editorialista citando a declaração do presidente Lula, apresentado como o crítico mais feroz em Seul, de que os países ricos estão levando o mundo à falência.

Nicolas Sarkozy, que cultiva boas relações com os principais protagonistas do G20 e assumirá a presidência do G20 a partir desta noite, pode se posicionar como o juiz, conclui Le Figaro.

Libération afirma em sua manchete principal que acabou o armistício no Partido Socialista, uma referência ao feriado de ontem na França que lembrou o acordo de paz que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. A um ano das primárias do partido com vistas à eleição presidencial de 2012, a união demonstrada nos últimos dois anos terminou com a volta da guerra declarada entre as alas à esquerda e à direita dentro do maior partido de oposição do país.

O comunista L'Humanité volta ao tema da reforma das aposentadorias e alerta o presidente Sarkozy em manchete que apesar da promulgação do texto rapidamente após a aprovação do Conselho Constitucional, a mobilização social ainda não terminou porque, segundo o jornal, o dossiê "aposentadorias" não foi totalmente fechado.

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