Coreias/Tensão

Ataques entre as duas Coreias deixam região em alerta

Fumaça de tiros de artilharia disparados contra a ilha sul-coreana de Yeongpyeong pela Coreia do Norte.
Fumaça de tiros de artilharia disparados contra a ilha sul-coreana de Yeongpyeong pela Coreia do Norte. Reuters

A Coreia do Norte lançou disparos de artilharia, nesta terça-feira, na ilha sul-coreana de Yeongpyeong, próxima à fronteira no Mar Amarelo. Um marinheiro morreu e militares e civis ficaram feridos. O ataque também atingiu dezenas de casas, que pegaram fogo. O governo da Coreia do Sul enviou aviões de guerra ao local e respondeu com disparos, gerando a maior tensão entre os dois países desde a Guerra das Coreias nos anos 50.

Publicidade

Com colaboração de Maria João Belchior, correspondente da RFI em Pequim

Eram pouco mais de 14 horas, no horário local, quando a Coreia do Norte disparou tiros de artilharia contra a ilha sul-coreana de Yeongpyeong, próxima da fronteira marítima entre as duas Coreias. Pelo menos 200 obuses caíram na ilha, a maioria sobre uma base militar, mas os disparos também atingiram dezenas de prédios e casas de civis, provocando incêndios e o aparecimento de grandes colunas de fumaça.

O governo da Coreia do Sul reagiu ao ataque; houve troca de disparos durante pelo menos uma hora. Moradores da ilha foram evacuados para uma área industrial vizinha. A ilha de Yeongpyeong fica a 3 km das águas norte- coreanas e a 120 km de Seul. A região, palco de tensão entre os vizinhos inimigos, é a mesma onde em março passado o regime comunista do norte atacou uma fragata do sul, matando 46 marinheiros.

O presidente sul-coreano Lee Muyng-bak convocou uma reunião extraordinária do gabinete de segurança e decretou alerta máximo no país, uma decisão inédita desde o início da guerra das Coreias, em 1950. Esse grave incidente acontece apenas alguns dias depois de ser revelado que a Coreia do Norte teria um vasto programa de enriquecimento de urânio, destinado à produção de armas atômicas.

As autoridades norte-coreanas afirmam estar dispostas a retomar as negociações sobre o desmantelamento do programa nuclear militar do país, mas os Estados Unidos e a Coreia do Sul impõem condições que o governo de Pyongyang se nega a cumprir.

Alerta 

O ataque da Coreia do Norte à Coreia do Sul levou o ministério das Relações Exteriores chinês a emitir  um comunicado logo após a notícia dos disparos trocados na península coreana.

A China, que é o maior aliado da Coreia do Norte, disse que é preciso calma para manter a estabilidade na região. Sobre o fato de um soldado sul-coreano ter morrido no confronto desta manhã, o governo de Pequim disse que era preciso esperar para "ver o que vai acontece".

A Coreia do Sul disparou em auto-defesa e o exército sul-coreano enviou uma mensagem para que o norte parasse imediatamente com o ataque.

Stephan Bosworth, o enviado especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, viajou do Japão em direção a Pequim. As notícias sobre o aumento da capacidade norte-coreana de produzir urânio enriquecido trouxeram Stephan Bosworth à Ásia para reuniões com os países envolvidos nas negociações sobre a crise nuclear norte-coreana.

O ataque dessa terça-feira coloca mais obstáculos a um eventual diálogo com a Coreia do Norte. Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos já demonstraram preocupação nesse sentido. Paralelamente, um grupo de quatro membros da Comissão Europeia e do Conselho Europeu estiveram em Pyongyang, na segunda-feira, para mais uma rodada de diálogo político entre a União Europeia e o governo norte-coreano.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.