Saída da Irlanda da zona euro não é uma boa ideia, diz sindicalista ao l'Humanité

Capa do jornal francês L'Humanité, "O euro em perigo ? Irlanda triturada pelo sistema financeiro".
Capa do jornal francês L'Humanité, "O euro em perigo ? Irlanda triturada pelo sistema financeiro". RFI

As reações ao pacote de ajuda internacional à Irlanda oferecido pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional para evitar um colapso do sistema bancário do país são destaque nos jornais da França desta terça-feira.

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O principal diário econômico, Les Echos, afirma que o alívio dos mercados financeiros não deve ser duradouro, pois a crise interna da Irlanda aumenta.

"Governo do primeiro-ministro Brian Cowen ameaçado de implosão", diz o título do Le Figaro. O jornal explica que, mais do que o sentimento de humilhação, é a raiva que toma conta dos ânimos da população. A foto da reportagem mostra manifestantes com cartazes em confronto com a polícia em frente à sede do governo. Os irlandeses temem que o plano de austeridade leve a cortes ainda maiores nos salários e em projetos sociais, e ao aumento de impostos. Uma tendência de apertar os cintos que começou no início do ano passado, logo após a bolha imobiliária especulativa americana que também atingiu a Irlanda.

"Batalhas sociais em todos os níveis são necessárias", declara o sindicalista Denis Durand, membro da Comissão Europeia do PCF, partido de esquerda, em entrevista ao jornal L'Humanité. Ele defende um novo modelo de cooperação europeia para evitar a dependência dos mercados financeiros.

O sindicalista analisa como uma "falsa boa ideia" a retirada da Irlanda e da Grécia da zona do euro para resolver a situação financeira da Europa. "Se isso acontecesse, as dívidas destes países iriam aumentar ainda mais. E o pior: significaria um abandono de toda a solidariedade europeia frente aos mercados financeiros", afirma Denis Durand.

Ele acrescenta que, para acabar com o marasmo no setor de empregos da Europa, seria interessante criar um fundo europeu de desenvolvimento econômico e social para financiar diretamente as despesas públicas nesta área. "O Banco Central Europeu deve realizar uma política monetária seletiva para incitar os bancos a investir mais em projetos de emprego", conclui o socialista.

 

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