Coreias/Tensão

China isolada no conflito envolvendo as duas Coreias

Des maisons détruites après les bombardements nord-coréens sur la Corée du Sud le 23 novembre 2010.
Des maisons détruites après les bombardements nord-coréens sur la Corée du Sud le 23 novembre 2010. REUTERS/Ongjin County/Handout

Os Estados Unidos e o Japão pedem a intervenção diplomática imediata da China para impedir que a Coreia do Norte continue a escalada militar contra a vizinha Coreia do Sul. Única potência a não ter condenado o ataque de Pyongyang, a China se encontra isolada. Pequim apenas expressou "preocupação" e pediu calma às duas Coreias.  

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Em resposta ao bombardeio de terça-feira na ilha sul-coreana de Yeonpyeong, Estados Unidos e Coreia do Sul também intensificaram as manobras militares na região. Mantendo o tom de provocação, o governo a Coreia do Norte declarou que a reação sul-coreana deixa a península à beira da guerra.

Subiu para quatro o número de mortos no ataque. Além de dois soldados, dois corpos de civis sul-coreanos foram encontrados na ilha nesta quarta-feira. Dezoito pessoas ficaram feridas.

Ao denunciar a manobra norte-coreana e ao pressionar a China, o presidente norte-americano, Barack Obama, declarou que é preciso agir contra a seriedade e a continuidade dessa ameaça.

A manobra conjunta dos próximos dias entre Estados Unidos e Coreia do Sul já estava prevista antes da crise atual. Os Estados Unidos enviaram para a região de conflito o porta-aviões nuclear USS George Washington, com 75 aparelhos de combate e mais de seis mil militares a bordo.

Única potência a não ter condenado o ataque de Pyongyang, a China se encontra isolada. Pequim apenas expressou "preocupação" e pediu calma às duas Coreias. Segundo analistas, a China hesita, pois uma pressão sobre o instável e imprevisível vizinho pode ter consequências desastrosas.

A China não quer a presença militar norte americana na região e nem o fluxo de refugiados norte-coreanos em território chinês, no caso de uma derrocada norte-coreana e uma consequente reunificação da península.

Além disso não interessa a Pequim impor sanções a Pyongyang, que tem na China seu principal parceiro econômico, pois isso certamente selaria o fim do regime comunista na Coreia do Norte.

Estado de choque

Segundo o correspondente da Rádio França Internacional em Seul, Frédéric Ojardias, os sul-coreanos ainda estão sob estado de choque diante do bombardeio na ilha de Yeonpyeong.

Imagens divulgadas pelas redes de televisão e jornais nesta quarta-feira mostram cenas de guerra com casas destruídas, incêndios e moradores fugindo desesperados em barcos durante a noite. A opinião pública ficou chocada porque, pela primeira vez, os civis foram alvos dos tiros de artilharia do país vizinho.

Logo após o ataque, o ministro das Finanças da Coreia do Sul reagiu rapidamente afirmando que o impacto desta nova crise seria "muito limitado" para a economia local, uma vez que a tensão e as ameaças da Coreia do Norte sempre existiram e, por isso, a situação deve voltar ao normal em breve.
 

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