Portugal/Greve

Greve geral contra plano do governo tem forte adesão

Transportes paralisados, setores de educação e saúde afetados e trabalhadores de empresas privadas com os braços cruzados na greve geral que atinge Portugal nesta quarta-feira. Pela primeira vez em 20 anos, os dois principais sindicatos do país se uniram para protestar contra um plano de austeridade do governo que prevê cortes de empregos, de benefícios sociais e o aumento de impostos.

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A greve geral convocada pelos sindicatos portugueses nesta quarta-feira contra a política de austeridade do governo socialista de José Socrates tem forte adesão e provoca a paralisação do sistema de transportes, dos serviços públicos e também afeta as empresas privadas.

O setor de transportes é o mais atingido com o cancelamento de mais de 500 voos, principalmente da companhia portuguesa TAP, segundo informações da Agência de controle dos aeroportos. Cerca de 75% dos trens deixaram de circular assim como 60% da frota de ônibus, de acordo com as empresas Comboios de Portugal e Carris.

A paralisação é total na rede de metrô da capital Lisboa e o tráfego fluvial no rio Tejo foi interrompido. A greve geral, a primeira convocada em conjunto pelos sindicatos CGPT e UGT em 20 anos, atinge também o setor de educação, com diversas escolas fechadas, e o sistema de saúde, com os hospitais apenas garantindo um serviço mínimo para emergências.

Segundo os sindicalistas, o movimento também ganhou forte adesão em algumas empresas privadas como as da indústria automobilística com a paralisação de 90% dos trabalhadores da Autoeuropa e Sakhti.

A última greve geral em Portugal foi realizada em 2007 e organizada apenas pela CGPT, próxima do partido comunista, para protestar contra reformas propostas pelo primeiro-ministro José Sócrates para reduzir o rombo nas contas públicas.

Pacotão

Diversas manifestações estão previstas contra o pacote de ajustes do governo, que deve ser adotado pelo Parlamento na sexta-feira. O plano prevê corte de empregos, de benefícios sociais e aumento de impostos. O objetivo é diminuir o déficit público do país, um dos mais pobres da Europa, de 7,3% do PIB para 4,6% até o fim de 2011.

Com a crise irlandesa, aumentam os rumores de que Portugal seria o próximo integrante da zona euro a recorrer ao caixa da União Europeia e do FMI para colocar as contas em dia.
 

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