"Haiti abandonado", relatam jornalistas franceses enviados ao país

A epidemia de cólera já causou a morte de mais de 1100 haitianos.
A epidemia de cólera já causou a morte de mais de 1100 haitianos. Reuters/St-Felix Evens

Os principais jornais franceses destacam nesta quinta-feira a gravidade da situação no Haiti com uma epidemia de cólera que continua causando mortes. A onda de violência no Rio de Janeiro é informada em uma nota no Le Figaro.

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O enviado especial do Libération à capital haitiana de Porto Príncipe relata o drama e o desespero de um povo aterrorizado pela epidema de cólera e ainda traumatizado pelo terremoto que deixou mais de 300 mil mortos em janeiro. O testemunho de Vanessa é o retrato da falta de esperança. Ela conta que, durante o tremor de terra, perdeu a casa e os amigos. "Agora, para piorar, a doença quer nos derrubar de vez. As vezes eu me pergunto se não é melhor estar morta", afirma a haitiana ao jornalista francês.
Ele diz que a população não acredita nas estimativas do Ministério da Saúde de que até agora 1.400 pessoas morreram vítimas da cólera. Mesmo a coordenação humanitária da ONU reconhece que o balanço já deve estar perto de 2.000 vítimas fatais. Cerca de 25 mil pessoas estão hospitalizadas.

"Haiti abandonado", é a manchete do jornal l'Humanité, que também enviou um jornalista à ilha. Ele conta que as pessoas se viram como podem em um país cuja taxa de desemprego chegou a 80%. "Muitos estão descrentes em relação às eleições presidencias do próximo domingo, que vão eleger o sucessor de René Préval", diz o correspondente. Corrupção, tráfico de drogas, mortalidade infantil e acesso reduzido à água potável são os principais problemas citados. No editorial, uma crítica aos países e instituições internacionais que prometeram mais investimentos. "O povo haitiano continua esperando a ajuda financeira prometida pelas grandes potências do G20".

A onda de violência que assola a cidade do Rio de Janeiro aparece em uma nota no Le Figaro. O jornal informa que, no quarto dia de confrontos entre gangues e policiais, 13 pessoas foram mortas e bandidos atearam fogo em carros e ônibus.

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