Conflito/Mar Amarelo

Coreias trocam ameaças na véspera de manobra militar

Durante manifestaçao em Seul neste sábado, ex-combatentes sul-coreanos pedem uma resposta firme do seu país contra a Coreia do Norte
Durante manifestaçao em Seul neste sábado, ex-combatentes sul-coreanos pedem uma resposta firme do seu país contra a Coreia do Norte © Reuters

Pyongyang alerta para as “consequências imprevisíveis” dos exercícios militares realizados conjuntamente pelos Estados Unidos e pela Coreia do Sul neste domingo. Um porta-aviões norte-americano foi enviado à região de conflito. Comandante da Marinha sul-coreana promete vingança.

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"Se os Estados Unidos colocarem seu porta-aviões no Mar Amarelo, ninguém poderá prever as consequências", afirmou o governo da Coreia do Norte em um comunicado divulgado neste sábado. Os exercícios militares previstos para este domingo são de natureza defensiva e devem durar quatro dias, segundo os norte-americanos e sul-coreanos.

A China, principal aliado da Coreia do Norte, declarou que é contra essas manobras no Mar Amarelo e avisou que está atenta a qualquer tipo de ação militar não-autorizada na sua costa marítima.

As tensões na região aumentaram após a Coreia do Norte atacar a ilha sul-coreana Yeonpyeong na terça-feira, matando dois militares e dois civis, e provocando uma retaliação da Coreia do Sul.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, já avisou aos responsáveis pela segurança do país para se prepararem para novas provocações do país vizinho. Neste sábado, no enterro dos dois militares sul-coreanos mortos nos bombardeios de terça-feira, o comandante da Marinha do país prometeu dar uma resposta dura às provocações dos vizinhos do norte, dizendo que vai vingar “mil vezes" a morte de seus conterrâneos.

Ex-combatentes sul-coreanos realizaram manifestações neste sábado em Seul e pediram uma resposta firme do seu país contra o regime de Pyongyang.

O governo norte-coreano já tinha sido responsabilizado por uma fatalidade ocorrida no dia 26 de março deste ano. Uma investigação feita a pedido de Seul concluiu que um submarino da Coreia do Norte disparou um torpedo contra um navio de guerra sul-coreano, provocando seu naufrágio e a morte de 46 marinheiros.

Assim como negou sua responsabilidade pela tragédia do início do ano, a Coreia do Norte afirma que foi a Coreia do Sul que começou os bombardeios da última terça-feira. Pyongyang acusa Seul de ter usado civis como "escudo humano" perto de áreas de artilharia na ilha Yeonpyeong.

A agência de notícias estatal norte-coreana publicou um texto afirmando que, "embora seja muito lamentável, se for verdade que dois civis também morreram nos ataques à Yeonpyeong, a culpa é da medida desumana dos nossos inimigos de criar um 'escudo humano' ao colocar civis próximos de campos de artilharia".

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