Meio ambiente/Estados Unidos

Republicanos eleitos nos EUA devem barrar proposta climática em Cancún

Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá plano B para apresentar durante a Conferência do Clima em Cancún
Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá plano B para apresentar durante a Conferência do Clima em Cancún REUTERS/Jason Reed

Resultado das eleições legislativas dos Estados Unidos deve ter impacto na Conferência do Clima que será realizada em Cancún entre os dias 29 de novembro e 10 de dezembro. Muitos países, entre eles a China - o maior poluidor junto com os Estados Unidos - se negam a tomar qualquer medida se os norte-americanos não fizerem o mesmo.

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Com a vitória republicana nas eleiçoes legislativas norte-americanas deste mês, vai ser muito dificil para os Estados Unidos aprovarem a lei para reduzir as emissões de gases que provocam o efeito esfuta, que está emperrada no Senado há mais de um ano.

Os republicanos são contra a proposta do “cap and trade”, um mecanismo de mercado que controla a poluição dando incentivos para quem reduzir as emissões de gás carbônico. Eles alegam que a medida causaria mais estragos econômicos do que benefícios ao meio ambiente, como explica o especialista Nicolas Loris, da conservadora fundação Heritage.

Para Daniel Weiss, especialista do Center for American Progress, um centro de pesquisas com tendências liberais, o grande problema é que a maioria dos republicanos eleitos não acredita que o aquecimento global existe ou que é causado pela ação do homem e, por isto, eles se opõem com mais força a qualquer solução.
Para dificultar ainda mais qualquer acordo, o debate sobre a lei é inflamado por mais de 2.300 grupos que defendem interesses e pressionam o Congresso.

Presidente Obama tem outras cartas na manga para a Conferência do Clima

Diante de tantas barreiras, o presidente Barack Obama, que não deve assinar esta lei em seu primeiro mandato, prefere focar em seu plano B para a Conferência do Clima de Cancún. Ele quer atacar o problema sem a ajuda do poder legislativo, mesmo com toda a resistência da oposição.

Uma das medidas seria fazer acordos com companhias elétricas para que reduzam suas emissões de gases do efeito estufa, da mesma maneira que fez com a indústria automobilística no ano passado. Além disto, no próximo ano, a Agência de Proteção Ambiental Americana deve começar a exigir que os estados limitem as emissões de CO2 em suas principais usinas e fábricas.

O plano B da Casa Branca pode ter algum impacto interno, mas não deve animar os outros países durante a cúpula em Cancún. Sem uma proposta ratificada pelo Congresso e com um cenário politico interno ainda menos favorável, os Estados Unidos devem perder a credibilidade mais uma vez e empacar as negociações internacionais.

As expectativas para a cúpula este ano são bem menores do que no ano passado. Ambientalistas já não acreditam em um grande tratado global. Eles esperam apenas alcançar uma série de pequenos acordos sobre como pagar pela redução do desmatamento ou como ajudar os países pobres a se adaptarem ao aquecimento global, por exemplo. Especialistas afirmam que os Estados Unidos poderiam participar destes tipos de acordos sem a ratificação do Congresso.

Colaboração da correspondente da RFI nos Estados Unidos, Raquel Krähenbühl.

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