Documentos secretos

EUA chamam revelações do WikiLeaks de irresponsáveis e perigosas

Julian Assange, fundador do site Wikileaks, que fez novas revelações sobre os bastidores da diplomacia dos EUA entre 2004 e 2010.
Julian Assange, fundador do site Wikileaks, que fez novas revelações sobre os bastidores da diplomacia dos EUA entre 2004 e 2010. Reuters

O indiscreto site norte-americano WikiLeaks publicou neste domingo mais uma série de documentos com revelações no mínimo embaraçosas para o governo e diplomatas dos Estados Unidos. Sobrou até para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, classificado de "suscetível e autoritário".

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Os 250 mil documentos diplomáticos confidenciais, revelados pelo site norte-americano WikiLeaks neste domingo, foram publicados por cinco grandes jornais mundiais: o francês Le Monde, o americano New York Times, o espanhol El País, o britânico The Guardian e o alemão Spiegel.

Os documentos são notas e mensagens emitidas entre o departamento de Estado norte-americano e embaixadas dos Estados Unidos do mundo inteiro. Eles revelam os bastidores da diplomacia norte-americana, principalmente entre 2004 e fevereiro de 2010.

As revelações podem criar sérias tensões diplomáticas. Os documentos revelam, por exemplo, que os países árabes têm medo do Irã. "O rei Abdallah da Arábia Saudita pediu aos Estados Unidos para atacar o Irã e acabar com o seu programa nuclear”, escreve o The Guardian.

Le Monde ressalta que Israel tentou forçar os Estados Unidos a serem mais firmes contra o Irã. Uma mensagem publicada pelo jornal francês mostra que um responsável israelense duvida da eficácia da política de compromisso estratégico do presidente Barack Obama com o Irã. Israel poderia inclusive realizar um ataque contra o Irã sem a ajuda dos Estados Unidos.

Outros documentos revelados por WikiLeaks mostram que Washington pediu aos chineses para impedir a entrega de peças de mísseis da Coreia do Norte ao Irã, que transitavam por seu território, mas sem sucesso.

Algumas notas confidenciais, que apontam características pessoais de parceiros americanos, como a chanceler Angela Merkel, chamada de "pouco criativa", o presidente Nicolas Sarkozy, considerado "autoritário e suscetível", ou o primeiro-ministro italiano, descrito como "fraco física e politicamente", podem criar constrangimentos em futuros encontros diplomáticos.

Os Estados Unidos foram os primeiros a reagir à publicação, considerada "irresponsável e perigosa". Washington afirma que a iniciativa de WikiLeaks pode colocar em risco a vida de muitas pessoas.

O fundador do site, Julian Assange, que publica pela segunda vez documentos secretos americanos, afirma querer mostrar as contradições entre a posição oficial americana e os bastidores das negociações.
 

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