Pleito/ Haiti

Norte-americanos estimam que eleições no Haiti foram uma farsa

Neste domingo, milhares de pessoas foram às ruas para pedir o cancelamento das eleições no Haiti.
Neste domingo, milhares de pessoas foram às ruas para pedir o cancelamento das eleições no Haiti. Reuters

Observadores norte-americanos afirmam que as eleições presidenciais e legislativas realizadas no domingo no Haiti estavam repletas de irregularidades e pediram à comunidade internacional para rejeitar o que chamaram de "farsa óbvia".

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Apesar das numerosas denúncias de fraude por parte de vários candidatos e dos pedidos de anulação do pleito do Haiti, o Conselho Eleitoral do país validou as eleições de domingo, cujos resultados serão conhecidos a partir de 5 de dezembro. O órgão prometeu apresentar um relatório nos próximos dias, mas já adiantou que os incidentes não afetaram mais do que 4% dos locais de votação e que a contestação da eleição é uma estratégia política dos candidatos.

Observadores dos Estados Unidos criticaram a falta de organização antes e durante a votação.

"Desde a proibição do partido mais popular de participar da eleição, até irregularidades no dia do pleito, como o impedimento de muitos eleitores que faziam parte das listas oficiais de votar, estas eleições foram uma farsa óbvia do início ao fim", disse em um comunicado Mark Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisa Política e Econômica.

Segundo ele, seu colega Alex Main, analista do mesmo centro de estudos, que esteve no Haiti para acompanhar as eleições, foi testemunha de diversas irregularidades, incluindo a inserção de votos falsos em uma urna de uma seção de votação.

Dezoito candidatos à Presidência pediram o cancelamento das eleições alegando que a gestão do atual presidente René Préval preparou uma “massiva fraude” para favorecer o candidato governista, Jude Célestin.

Minustah manifesta preocupação com incidentes de violência

Nesta segunda-feira, o clima era mais calmo na capital Porto Príncipe, onde milhares de pessoas manifestaram no domingo para pedir o cancelamento do pleito.

Flavia Marreiro, correspondente da Folha de S. Paulo, especial para a RFI.

A Minustah, a missão da ONU no Haiti, manifestou “profunda preocupação pelos numerosos incidentes de violência” durante as eleições deste domingo em algumas cidades. A missão, principal fiadora da votação, a primeira depois do devastador terremoto de janeiro, pediu à população e a todos os atores políticos a manter a calma.

As Nações Unidas lembram que "uma eventual deterioração da situação de segurança no país poderia ter consequências dramáticas imediatas sobre o número de vítimas da epidemia de cólera".

O Ministério da Saúde do Haiti divulgou nesta segunda-feira um novo balanço oficial sobre o surto da doença. Desde outubro até hoje, 1.721 pessoas morreram vítimas da cólera e mais de 33 mil foram hospitalizadas.

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