Violência no Rio é resultado de décadas de negligência, diz imprensa francesa

A polícia hasteou no início da tarde de domingo a bandeira do Brasil no alto do Complexo do Alemão.
A polícia hasteou no início da tarde de domingo a bandeira do Brasil no alto do Complexo do Alemão. Reuters

A onda de violência no Brasil ainda é destaque de alguns jornais franceses desta segunda-feira. Os diários consideram que os choques com os traficantes são o resultado de anos de negligência do poder público.

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O jornal conservador Le Figaro traz matéria de um quarto de página sob o título: "Brasil lança guerra contra os traficantes de droga".

O jornal detalha a ofensiva da polícia e militares. No total, cerca de 40 pessoas morreram, 200 traficantes foram detidos e quatro toneladas de maconha foram confiscadas, detalha o Figaro.

A ofensiva culminou ontem quando a polícia e militares tomaram o morro do Alemão, onde os narcotraficantes estavam "armados até os dentes".

"Após anos de apatia, o governo do Rio de Janeiro, apoiado pelo presidente Lula, decidiu conter a violência endêmica que fez do Rio uma das cidades mais violentos do mundo", diz o jornal.

O Figaro não deixa de mencionar o desafio para as autoridades brasileiras de conter a violência a quatro anos do Mundial de 2014 e a 6 anos dos Jogos Olímpicos.

O jornal católico La Croix também cita a onda de violência no Rio de Janeiro e faz a mesma análise do conservador Le Figaro, quer dizer, a de que o poder público "paga por duas décadas de abandono" completo de regiões controladas pelos narcotraficantes.

"Nunca o Rio de Janeiro conheceu uma guerrilha urbana como a atual", diz o La Croix, que afirma que a população está dividida entre medo e esperança.

COP 16

Os jornais franceses também dao destaque hoje para a conferência do clima da ONU, que têm início em Cancun, no México. "A guerra fria do aquecimento climático", é a manchete do jornal comunista Humanité, que afirma que, 1 ano após Copenhague, as negociações retomam em Cancún sem grandes ambições.

A nova conferência vai proclamar a morte do protocolo de Kyoto ?, questiona o jornal, que lembra que países como Canadá, Nova Zelândia e Austrália se recusam a reconduzir o protocolo.

Representantes de cerca de 190 países se reúnem a partir de hoje até o próximo dia 10 de dezembro para a COP 16, a Conferência das Naçoes Unidas sobre Mudanças Climáticas.

 

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