Imprensa francesa denuncia silêncio da França na revolta popular da Tunísia

Movimento de revolta popular contra o regime do presidente Zine Al Abidine Ben Ali não recua na Tunísia.
Movimento de revolta popular contra o regime do presidente Zine Al Abidine Ben Ali não recua na Tunísia. Reuters

Todos os jornais desta quinta-feira consideram que o poder tunisiano está encurralado diante do movimento de protesto popular que já matou dezenas de pessoas.  

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Muitos editoriais criticam a atitude das autoridades francesas, caladas diante da sangrenta repressão.

O diário comunista L'Humanité, falando da Tunísia, denuncia "um governo e um presidente de assassinos", diantes dos quais a França demonstra uma complacência insuportável.

Le Figaro, de direita, é menos violento, mas aponta "o absurdo de uma repressão desproporcional" e espera que a demissão do ministro do Interior e a libertação dos participantes das manifestações que estavam presos marquem o início de uma tomada de consciência dos limites do modelo político tunisiano.

O diário econômico Les Echos informa que a revolta chegou à capital e ameaça o regime do atual presidente, lembrando que o toque de recolher foi decretado pela primeira vez desde o começo do conflito, há quatro semanas. Quanto à posição francesa, Les Echos publica a opinião da oposição socialista, que lamenta o silêncio que pesa das autoridades, e a declaração do porta-voz do governo, que defende uma posição equilibrada, ou seja, de não ingerência nos assuntos internos do país.

Para o jornal católico La Croix, o presidente Ben Ali será obrigado a dialogar sem tardar, pois a dimensão da rebelião já o deveria ter conduzido a uma busca comum de soluções.

"Tunísia, a rua não cede" - é a manchete do jornal de esquerda Libération, descrevendo a artilharia utilizada pelo exército contra os manifestantes: gás lacrimogênio, balas reais e tanques de guerra.

O tablóide popular Le Parisien comenta a morte de três manifestantes pela polícia ou pelos militares, nesta quarta-feira, inclusive a de um professor universitário franco-tunisiano, Hatem Bettahar, que lecionava na Universidade de Compiègne, no norte da França. Para o jornal, o governo de Sarkozy tem feito comentários extremamente prudentes sobre a crise política da Tunísia.
 

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